Embora este espaço seja dedicado em especial aos caminhões antigos brasileiros e afins, medicine de tempos em tempos somos impelidos a abrir exceções, see em nome do interesse histórico de certos materiais que chegam até nós. É o caso deste belo catálogo enviado pelo amigo Fernando Furini, search ricamente ilustrado por caminhões suecos comercializados nos Estados Unidos. Para complicar (…), trata-se de um catálogo em inglês, algo que sempre tentamos evitar, em respeito ao nosso público brasileiro e ao nosso idioma pátrio. Mas como a marca em questão é a Scania – com seu enorme carisma e admiração no Brasil, não tínhamos como deixar de publicar esta literatura tão inusitada dos anos oitenta, baseada em testemunhos de frotistas satisfeitos.
Naqueles tempos, a Scania tentava desbravar o mercado norte-americano, o maior do mundo ocidental. Ao contrário da Volvo, que comprou a GMC, a White e a Mack, a Scania tentou quebrar os paradigmas que separam as escolas europeia e americana de frente, com produtos europeus adaptados à realidade “yankee”. Apesar dos testemunhos positivos do catálogo, no final das contas, a empreitada acabou não dando certo. No planeta caminhão, o abismo cultural que separa os dois continentes foi demasiado grande para a Série 2 cobrir. Mesmo com as customizações, como a configuração 6×4 estradeira (praticamente inexistente no Velho Mundo) e de uma longa lista de requisitos legais (como os faróis “sealed beam”), os Scanias não emplacaram na “América”. Ficou a lição de que o mercado americano, requer produtos americanos, não europeus requentados. O mesmo valendo para o Brasil, em sentido inverso, ou seja, o mercado brasileiro requer produtos europeus e não americanos requentados…
A Volvo, por seu turno, avançou, comendo o pudim pelas beiradas. Com o passar do tempo e o nome já estabelecido, a empresa foi deixando de lado os nomes GMC e White, gradativamente sobrepujados pela barra diagonal e a marca sueca original. Porém, a Volvo não correu o risco de matar a lenda viva chamada Mack. Aos poucos foram surgindo produtos de projeto Volvo, com componentes redesenhados especificamente para os gostos (e as leis) norte-americanos. Um produto memorável desta fase foi o convencional Volvo VN, com a cabina emprestada da família H europeia, ampliada e modificada, opção de motores Volvo, Detroit ou Cummins, em geral. O VN até lembrava o jeito do NH brasileiro. Hoje passados quase trinta anos desde a incursão inicial sobre a GMC, a posição do Grupo Volvo é invejável na América do Norte, com respeito e aceitação crescentes. E, nos mercados vocacionais sobretudo, a Mack continua vivíssima da silva, apesar dos protestos dos veteranos da casa em usar componentes Volvo…
Há rumores inclusive de uma suposta gama vocacional Mack em vias de aportar por aqui (ou seria Renault Trucks?). Em todo caso, hoje ao se examinar o mercado americano nota-se que apenas a Navistar não se juntou a ninguém (nem comprou, nem foi comprada). A Paccar (Kenworth e Peterbilt) deu passos acertados aos assumir a DAF, com a consequente diversificação de produtos e mercados. A Daimler seguiu o caminho parecido ao da Volvo, comprando a então combalida Freightliner e investindo bilhões, até que a mesma alcançasse o pódium das vendas anos depois. A solteirice da Navistar desperta olhos grandes de dois grupos que querem muito botar os pés na América do Norte: a VW (dona da Scania e da MAN) e o Grupo FCA (leia-se Fiat Chrysler, dono da Iveco). Não fosse o tremendo passivo trabalhista da Navistar e os altíssimos custos de garantia que vêm incorrendo depois das besteiras com o motor Maxxforce 13 e a malfadada estratégia do EGR, bem que o valor de mercado da empresa parece interessar a muitos investidores internacionais. A recente venda da JV hindu para a Mahindra, a saída do mercado sul-africano (tradicional reduto dos 9800 quase “made in Brazil”), a suposta venda da MWM, e a volta dos Cummins para as casas de máquinas dos International são passos que parecem cirurgicamente estudados para deixar a centenária companhia enxutona para um eventual “take-over” (absorção). Quem se arrisca?





















