Bug que não é do milênio

Só posso crer que se trata de um bug decorrente de atualização de software dentro do WordPress. O resultado são palavras espúrias inseridas aleatoriamente no texto de diversos posts que casualmente observei. Não sei dizer há quanto tempo perdura o inconveniente.

Mas vou tentar corrigir o problema manualmente e/ou através do administrador do sistema.

Peço desculpas pela leitura errática que este bug causa a você, amigo leitor.

Abraços. 

Comentando comentários

Querido amigo leitor:

Uma das grandes razões de existir deste espaço virtual é podermos interagir. Perguntando, pharm sugerindo, criticando, opinando, colaborando, doando, etc.

Em maio de 2015, me tornei um feliz papai. Com um ano e meio, o pequeno Eduardo Fullin adora caminhões, ônibus, HRs, Sprinters, Kombis e Fuscas, mas não dá bola para carrões de R$ três dígitos… Bem como o pai. Tem sido uma inexplicável felicidade, mas a vida virou do avesso.

Trabalho o dia todo no computador, tentando pagar as contas no final do mês. O pouco tempo que sobra são para as atividades da casa (mercado, fogão, louça, manutenção, cuidados com o Dudu).

Um dos meus prazeres, atualizar e interagir no Caminhão Antigo, teve de ficar de lado por todo esse tempo. Agora, espero aos poucos retomar o site.

Mas, ainda não sei como fazer com os comentários. São 408 no momento, esperando por uma resposta ou por uma aprovação minha. Os mais difíceis são os com pedidos e dúvidas técnicas complexas, aliás a maioria. Queria muito poder responder a todos, mas com minha estrutura de apenas “001”, não tem como. Quisera eu ter um help desk com 0800 e 5 estudantes de engenharia para responder tudo em 24 horas. Mas ainda não é o caso.

Vou continuar respondendo a todos, na medida do possível, mas na marcha “C” de crawler.

Portanto, peço desculpas e compreensão a você, amigo leitor.

Evandro.

Caio Bela Vista e FNM D-11000

O amigo William Bordin nos agraciou com duas belas ilustrações de sua autoria, seek generic reproduzidas abaixo. Junto delas, seek o William nos enviou a seguinte mensagem:

“Caro Sr. Evandro Fullin,

Gostaria de parabeniza-lo pelo excelente site “Caminhões Antigos Brasileiros”, repleto de postagens e informações maravilhosas.

Sempre visito e aprendo com vossas informações.

Aproveito o ensejo, para encaminhar ao prezado dois trabalhos meus para, se assim quiser, postar no site.

Tratam-se de dois desenhos: O primeiro, o lendário FNM D-11000; e o segundo, o famoso urbano Caio Bela Vista de grande aceitação no final da década de 60 e durante toda década de 70. Muitos, inclusive, rodaram firmes e fortes até meados dos anos 80.

Desde já, agradeço pela atenção e pelo maravilhoso trabalho.

Grato,

Forte abraço.

William Bordin.”

102106 Nacoes Unidas D 11000

Vende-se Chevrolet D-60 – 1977 – Original

“Trata-se de um Caminhão Chevrolet 1977, D-60 (DIESEL), todo original (motor, caixa, setor), que acabou de passar por um processo de restauração, mantendo-se toda a originalidade em termos de lataria, carroceria, mecânica e acabamento.

Durante 36 anos foi dirigido por um único motorista, com uma história apaixonante, que envolveu o condutor, inicialmente proprietário e posteriormente este mesmo condutor tornou-se empregado da Empresa, que adquiriu o mencionado caminhão, quando este foi colocado a venda há 12 anos, com a condição de que, o antigo proprietário que o conduziu até aquela data aceitasse o convite para ser contratado na empresa e continuasse a dirigir o seu caminhão.

Assim foram esses anos, de uma relação marcada pela cumplicidade entre condutor-caminhão/caminhão-condutor. Hoje completamente restaurado, trabalho este que pode ser comprovado pelos registros fotográficos antes, durante e após a sua realização, ele é colocado no mercado de ANTIGOS e com certeza dos verdadeiros apaixonados pelo antigomobilismo chamará a atenção e fará deste mais um apaixonado por esta raridade.

Com relação ao preço este será discutido quando da manifestação de interesse.

Telefone para contato: 032-9917-4147 (Álvaro).”

D60 1 D60 2 D60 3 D60 4 D60 5 D60 6 D60 7 D60 8 D60 9

 

Comemorando o terceiro aniversário!

No dia 22 de fevereiro de 2012 foi ao ar nosso primeiro post. Começava assim um projeto caseiro que visava dividir informações, illness promover o debate e, hospital sobretudo, pharm preservar a memória do caminhão brasileiro.

Com o passar do tempo, além dos caminhões, resolvemos agregar os veículos comerciais de forma mais ampla, incluindo ônibus, implementos e utilitários. Da mesma forma, dada a carência de informações gratuitas na rede, decidimos adicionar tratores, máquinas de construção e até aviões.

Para quem gosta de estatísticas, nosso amigo Google Analytics informa que tivemos 438 mil visitas acumuladas, 296 mil usuários e 1,92 milhões de visualizações de páginas desde 2012. Nos últimos tempos, as visitas estão na faixa de 24 a 25 mil por mês, ou 700 a 900 por dia. 68% de nosso público está acessando o espaço pela primeira vez. Nosso acervo conta com 1.134 posts, os quais produziram 5.361 comentários.

Hoje, passados três anos do pontapé inicial, acumulamos uma grande rede de colaboradores que contribuem com um valioso acervo de literaturas e, mais que isso, com conhecimento e ajuda mútua, sempre de forma gratuita, altruísta e despretensiosa.

Nosso projeto de obter um patrocínio e com isso alavancar postagens de alta qualidade, mais disciplinadas e frequentes, ainda não se materializou, mas temos certeza de que será questão de tempo.

Neste período de existência do site, tivemos muitas gratas surpresas. Por meio dele, reencontramos velhos amigos perdidos no tempo, aprendemos muito, conseguimos esclarecer dúvidas complexas e mistérios que nos permitiram corrigir e enriquecer nosso projeto do livro sobre os caminhões brasileiros, encontramos raridades ocultas, recebemos bateladas de doações e, mais importante, conhecemos novas pessoas, tanto no Brasil como em nações distantes como Espanha, Bélgica e até no Cazaquistão, muitos dos quais se tornaram verdadeiros amigos virtuais!

Portanto, só temos a agradecer a você, amigo leitor, a razão principal de nossa existência.

Um forte abraço e que venham os próximos anos!

 

De avô para o neto

Nosso amigo Roberto há algum tempo nos enviou mais um de seus criativos contos, ambulance conforme explica a seguir.
Boa leitura!
“Evandro, site bom dia.
Envio a ultima estória da estrada que faz parte da trilogia e também a ultima de 2014.
Grande abraço.
Roberto Dias Alvares.”
DE AVÔ PARA O NETO

Cavalo Mecânico Mercedes Benz LPS 331 6×2
Uma fina e persistente garoa,
cai, deixando o asfalto liso.
Um Mercedes Benz pela pista voa.
Chegar logo ao destino é preciso.
Puxando semi reboque de dois eixos
Tanque de alumínio reluzente.
Encara todos os tipos de trechos.
Transporte de óleo diesel somente.
Rodando veloz como uma bala
O Mercedes, na pista voa baixo
Dirigido por este que vos fala.
Motorista bom e cabra macho.
Parece saído da concessionária
mas com mais de sessenta anos.
Aparência e desenvoltura extraordinária.
Subindo, descendo ou em trechos planos.
Trinta anos, não estou acreditando,
que recebi o bruto de presente.
De meu querido avô lembrando
encarando a estrada, sigo em frente.
Recebi o cavalo de doação.
No início feliz e empolgado.
Ao me deixá-lo, vovô deu-me a missão,
e para cumpri-la continuo empenhado.
As primeiras viagens que fiz
sofri pela minha inexperiência.
Rodando com o bruto feliz
explorando com calma a potência.
Cada curva era um desafio
que vencia com todo cuidado.
Subindo montanha, cruzando rio
fui de Estado em Estado.
Minha filha deu-me um neto
e em minha mente já imagino:
Quando meu ciclo da vida estiver completo
darei o caminhão para este menino.
Sinto já bater o cansaço
em mim e em meu caminhão.
Sei que para o cavalo de aço
Existem peças de reposição.
O meu corpo ressentido
pelo tempo que segue impiedoso.
De nada sinto-me arrependido.
Deus foi para mim generoso.
Existe apenas uma diferença
entre eu e meu caminhão.
O tempo não há quem vença.
Para mim não há peças de reposição.
Quando chegar minha hora
Partirei com a certeza do dever cumprido.
Em um bruto celestial irei embora
e pelo próprio Jesus será dirigido.
Enquanto este dia não chega
Na estrada faço meu trabalho.
Mais uma carga para longe pêga.
Do trecho conheço cada atalho.
Enquanto minha mente divaga
Chuva fina vai molhando o chão.
Com vovô minha dívida está paga,
pois de carreteiro honro a tradição.
Em mês de férias da escola
meu neto viajou comigo.
Não quis ficar jogando bola.
No trecho aventura e perigo.
Era uma viagem rotineira
e ele curioso com tudo.
Como dirigir máquina estradeira?
Não ficava um só minuto mudo.
Com dezesseis anos de idade
Trata-se de um bom menino.
Cresceu valorizando a verdade.
Quer escrever seu próprio destino.
Nesta viagem que fizemos
meu neto, a tudo ouvia atento.
Bons momentos na boleia tivemos.
Aproveitamos cada momento.
Ao levar um carregamento
até uma cidade isolada
disse a meu neto: “Assuma o assento”.
Sua primeira incursão pela estrada.
Ele já dirigira antes
apenas o cavalo desatrelado.
A tensão dele era bastante.
Via-se que estava emocionado.
Com calma trocando marcha.
Visão á frente muito atenta.
Mil e duzentas rotações, na faixa.
Andando na marca dos oitenta.
Após alguns quilômetros rodados
ele já dirigia com toda a calma.
No comando do Mercedes trucado.
Vocação estava em sua alma.
Tinha ciência da responsabilidade
pois a carga era muito perigosa.
Apesar da pouca idade
dirigia de maneira cuidadosa.
No volante, prestando atenção
enquanto eu o aconselho.
Mãos firmes na direção,
ouvindo orientações deste velho.
Eu o ensino a fazer manobra
e ele me acha um mágico.
Esterço e como canivete dobra.
Para mim é muito prático.
Sei que ele aprenderá
pois para dirigir tem o dom.
Na lida da estrada me sucederá
e no volante será muito bom.
Mostro a ele que é importante
cuidar bem do caminhão.
Ser cuidadoso no volante
e não descuidar da manutenção.
Após quinze dias na estrada
retornaríamos para casa.
Uma situação inusitada.
nosso retorno então atrasa.
Meu neto ia na condução
e eu no banco do carona.
Um Scania em rápida evolução
passa em velocidade, detona.
Lá na frente, atravessa
tentando impedir a passagem.
Como sairíamos dessa?
Precisávamos seguir viagem.
Pedi que apertasse o acelerador
e que se parássemos seria o fim.
Fez subir o giro do motor.
Meu neto confiava em mim.
Os criminosos não acreditaram
quando nos viram em rota de colisão.
Para o impacto se prepararam.
A poucos metros segurei a direção.
Virei bruscamente o volante
passando a centímetros do cavalo.
Meu neto reassumiu no mesmo instante.
Na direção conseguiu endireitá-lo.
Com o conjunto em movimento
eu e ele trocamos de lugar.
Tomaria decisão de momento.
Não sei se conseguiríamos escapar.
Nunca andei armado.
Então como me defenderia?
Usaria meu potente trucado
e com ele escaparia.
Scania 111 em nova investida
recompôs-se da ação inesperada.
veio para o ataque decidida.
Tentariam me tirar da estrada.
Com armas de grosso calibre
não iriam desistir facilmente.
Um verdadeiro Deus-nos-livre.
Bandidos vinham com faca nos dentes.
Minha maior preocupação
era meu neto se machucar.
Isso aumentava minha disposição
e eu não deixaria nos pegar.
Com a polícia nenhum contato.
O celular fora da área de ação.
Teria de me virar isso era fato.
Estava difícil nossa situação.
O cavalo a cem por hora.
Muito para o velho estradeiro.
Pé em baixo, a turbina chora.
Bandido faz disparo certeiro.
Tiro atingiu chapa de metal.
Felizmente não houve perfuração.
Caso contrário para nós seria fatal.
Poderia causar grande explosão.
Vi que só teríamos uma saída.
Vendo carro de apoio aos criminosos.
Iniciou-se trecho de leve subida.
Trajeto dos mais perigosos.
O carro em rápida chegada
homens vinham atirando.
A carreta em marcha moderada.
Com rapidez se aproximando.
Enquanto faziam ultrapassagem
atirariam estando lado a lado.
Segurei o bruto, fiz a frenagem.
Escopeta, um tiro disparado.
O bandido errou o tiro
que passou a frente da cabina.
Acelerei o bruto, aumentei o giro.
Fiz chorar á turbina.
A duzentos metros manobrou
para posicionar-se de frente.
Um dos bandidos se preparou.
Com carabina, atiraria na gente.
Enquanto a ação se desenvolvia
tudo isso em questão de minutos.
Atingir o carro eu tentaria.
Os bandidos eram astutos.
O bandido fez o disparo.
Projétil atingiu grade frontal.
Em um resistente anteparo
No bruto não causou nenhum mal.
Quando preparou-se para atirar
estava já do carro bem perto.
Foi o tempo do grupo se dispersar.
O impacto foi no ponto certo.
O carro deu dois rodopios
e contra uma árvore se chocou.
Meu neto quando aquilo viu
levantou o punho e vibrou.
O Scania se aproximando
tentando nos jogar para fora.
O acelerador até o fim apertando.
Meu bruto aos quilômetros devora.
A subida ficou mais acentuada
e logo estaríamos ao alcance.
Difícil a decisão por mim tomada
mas para nós era a única chance,
A cem metros atrás de mim
O cavalo Scania vinha com apetite.
Se nos alcançasse seria nosso fim.
Esse era o meu palpite.
Em atitude desesperada e suprema
desengatei semi reboque de diesel.
Disse a meu neto: “Não tema”.
Perder a carga á vida é preferível.
Meu neto não estava assustado
mantendo a calma e o sangue frio.
O semi reboque desengatado.
Alguns metros ainda subiu.
Atravessou na pista
com vinte mil litros de combustível.
Cena poucas vezes vista.
O desfecho foi terrível.
O semi reboque virou
e pela pista desceu rolando.
O cavalo Scania freou.
Enquanto descia, óleo vazando.
O semi reboque explodiu.
Uma bola de fogo rolando para baixo.
Ao cavalo Scania atingiu.
Meu neto mostrou coragem, foi macho.
O semi reboque e o cavalo
formavam disforme massa.
O fogo ardia a devorá-los.
Subindo, imensa coluna de fumaça.
Com o cavalo desatrelado
andei em boa velocidade.
A beira da pista policial avistado.
Expliquei-lhe toda a verdade.
Avisei a transportadora
que a carga fora perdida.
Escapei de situação perturbadora
mas era a única saída.
Depois dessa aventura
achei que meu neto desistiria.
Respondeu-me àquela altura
que ser carreteiro queria.
Quando retornamos ao lar,
ao ser perguntado da viagem.
Meu neto empolgado a falar
que queria viver na rodagem.
O que está no sangue não se apaga.
Meu avô deve ter vibrado lá do céu.
Depois de mim, no trecho continuaria a saga,
com meu neto também chamado Rafael.

Minha História – Mercedes-Benz LPS-331 6×2

Nosso amigo Roberto Dias Alvares nos fez a gentileza de enviar mais um de seus bonitos textos, discount conforme reproduzimos a seguir:
“Evandro, there boa tarde.
Está é a segunda estória da trilogia que começou com “Meu Avô Caminhoneiro”.
Sei que você anda bastante atarefado por isso quando for possível sei que publicará.
Grato.”
           “MINHA HISTÓRIA
MERCEDES BENZ LPS 331. 6×2
Início da década de oitenta
completei dezoito anos.
De sonhos a vida se alimenta.
A cabeça estava cheia de planos.
Futebol gostava de jogar.
Era uma deliciosa diversão.
Mas eu não parava de pensar
em ter a carteira de habilitação.
Trabalhando como bancário,
carro era o sonho de consumo.
Guardava o meu salário,
procurando na vida dar um rumo.
Meu avô fora caminhoneiro
Meu pai não seguiu a profissão.
Trabalhava como ferreiro,
para família, a melhor decisão.
De vovô ouvia histórias,
contadas com emoção.
Falava de seus momentos de glórias
mas eu nunca o vira com caminhão.
Consegui o que queria
Chegara enfim minha vez.
Comprei uma Brasília
Mil novecentos e setenta e seis.
Senti-me livre finalmente.
Rodava feliz pra todo lugar.
Com alguns amigos somente
saia para ás meninas paquerar.
As meninas eu paquerava.
Levando a vida na boa.
Mas também trabalhava.
Nunca estava a toa.
Assim levava a vida.
Trabalhando e na diversão.
Faculdade, etapa vencida.
Tinha de escolher a profissão.
Educação Física, formado,
mas fui trabalhar como bancário.
Senti-me bem empolgado
batalhando no trabalho diário.
A vida é cheia de surpresas.
Vovô desta vida partiu.
Deixando em nós tristezas.
A família toda sentiu.
Vovô deixou a estrada
quando vovó adoeceu.
A ela foi a pessoa mais dedicada.
60 anos, a seu lado permaneceu.
Vovó deixou esta vida
sabendo que era muito amada.
Vovô sozinho sem saída
ainda sonhava com a estrada.
Após tanta dedicação,
Vovô não foi mais o mesmo.
Falava-me de seu caminhão,
mas sua mente vivia a esmo.
Antes de seu falecimento
Vovô fez dos bens doação.
Mais prático que o testamento.
achou que era a melhor solução.
Na casa de vovô existia
um imenso galpão.
O que lá dentro havia
não tinha a menor noção.
Quando fizeram a leitura
dos bens de vovô, a divisão.
Surpreendi-me aquela altura
Havia algo pra mim no galpão.
Uma carta por ele escrita
endereçada para mim.
A caligrafia era bonita,
e dizia mais ou menos assim:
“O que está no galpão
será de sua responsabilidade”.
“Coloque-o de novo em ação,
e será feliz de verdade”.
Senti naquela hora
uma grande necessidade
de ir correndo lá para fora
matar minha curiosidade.
Entrei na casa que vovô vivia,
e peguei uma chave pendurada.
Era ela que cadeado abriria
e que mantinha a porta trancada.
Fui rapidamente ao galpão,
cheguei da porta bem perto.
Sem conseguir conter a emoção,
em segundos estava aberto.
Haviam peças e alguns pneus.
Ferramentas por todo o lado.
Objetos que eram seus,
algo grande coberto por encerado.
Aproximei-me emocionado,
e quando estava bem perto,
puxei com força o encerado
e o segredo foi descoberto.
Quando enfim o descobri
disparou meu coração.
a anos estava parado ali
antigo e imponente caminhão.
Caminhão imenso e titânico
sobre cavaletes colocado.
Belo cavalo mecânico
cabine leito e trucado.
Contornei-o por completo,
cada detalhe observando.
Do vovô presente para seu neto.
De alegria estava chorando.
Estava muito bem conservado
mas precisava de reparo.
Motor deveria ser consertado.
e isso ficaria bem caro.
Também a lataria
precisaria de pintura,
Uma boa funilaria
seria ideal aquela altura.
O leitor deve estar curioso
para saber que marca era.
Mercedes Benz, poderoso
LPS trezentos e trinta e um a fera.
Com a família em reunião
contei o que vovô deixara pra mim.
Disse que reformaria o caminhão
e seria um caminhoneiro enfim.
Disseram-me que seria loucura.
No transporte, total inexperiência.
Mas estava decidido aquela altura,
e das dificuldades tinha ciência.
A primeira dificuldade:
Dinheiro para a reforma.
Dando aula na faculdade
para conseguir era a forma.
Para oficina especializada
o caminhão foi levado.
A cabine seria pintada
e o motor retificado.
Enquanto era reformado
eu fazia teste de direção.
Afinal precisava ser habilitado
para dirigir meu caminhão.
Trabalhando duro de verdade,
ia lenta a restauração.
Só usaria a preciosidade
em perfeita condição.
Conversava com caminhoneiros
sobre a vida na estrada.
Eram heróis brasileiros,
que enfrentavam qualquer parada.
Vendi a minha Brasília,
para concluir o projeto.
Vovô se orgulharia
do que fazia seu neto.
Após dois anos de espera
sobre o trecho, bem informado.
Solteiro, ainda na paquera,
Chegou o dia tão esperado.
A carteira de motorista
era D a categoria.
Habilitado para ir a pista.
e no asfalto me realizaria.
Cheguei á oficina
o bruto bem equipado.
Ainda hoje ao lembrar, me fascina.
Quando dirigi meu trucado.
Grade da Bepo, escapamentos verticais.
Motor rebaixado, cabine levantada.
Na cabine uma escada cromada atrás.
As rodas, linda pintura cor prateada.
O dinheiro mudava de nome
Cruzeiro, cruzado e cruzado novo.
Trabalhava muito mas não passava fome.
A inflação corroía dinheiro do povo.
Minha família já nem lembrava
que eu queria ser caminhoneiro.
Eu também não comentava,
para não causar entrevero.
Fiz minha primeira viagem
com um reboque emprestado.
Para São Paulo com a cara e a coragem
parti de café bem carregado.
Quando fazia uma parada
ficava muito desconfiado.
Queria estar só na estrada.
dirigindo meu cavalo trucado.
O engate tinha a manha,
usando o tempo do motor.
Ainda hoje não arranha
controlava bem no acelerador.
Levantava bem cedo
dirigindo com cautela.
Conduzia na ponta do dedo,
como se fosse mulher bela.
Chegando aquela cidade imensa.
Estradas para todo lado, em profusão.
Ponto de chapa entrei pedindo licença.
precisava para chegar de informação.
Um homem já idoso
mais de sessenta anos tinha.
Ainda era vigoroso,
em minha direção vinha.
Ofereceu seus serviços.
São Paulo, era como a palma da mão.
Tinha de cumprir meus compromissos.
Ele apontou-me a direção.
Levou-me ao local exato
onde deveria descarregar.
Caminho complicado de fato
Sozinho, difícil seria chegar.
Recebi primeiro pagamento,
e já havia outro frete acertado.
Para Belo Horizonte, um alento,
Á saída da cidade fui levado.
O chapa deu-me informações
sobre os locais de entregas.
Assim teria no futuro condições
de me localizar não estando as cegas.
Ao chapa o pagamento fiz,
seguindo para capital mineira.
Dirigia pela rodovia feliz
levando carga de madeira.
Na fila do telefone
ligar para a casa de meus pais.
Quando escutava meu nome
mamãe sentia o coração em paz.
Saí com sol batendo na fronte
cheguei ao anoitecer.
Na capital Belo Horizonte,
Parei no posto pra abastecer.
Tomei um banho, jantei
com caminhoneiros fiz amizade.
No sofá-cama descansei.
Procurar local da entrega na cidade.
Pedindo a alguns informação,
cheguei a indústria moveleira.
Lá descarreguei o caminhão,
deixando a carga de madeira.
Camas, mesas e estantes
carreguei para o transporte.
Para Brasília em instantes
ia um caminhão de grande porte.
Quando cheguei lá,
da estrada, sentia-me um veterano.
Peguei carga para o Paraná,
e lá cheguei sem nenhum dano.
Após matar a saudade
a estrada estava chamando.
Logo já deixava a cidade.
No asfalto, meu bruto reinando.
Fui para a estrada na labuta
deixei pra trás minha casa.
Levando banana, nobre fruta,
para São Paulo no CEASA.
Conseguia ganhar dinheiro
mas o trabalho era puxado.
Por este chão brasileiro,
conduzindo meu trucado.
Meu semi reboque consegui.
Comprei pagando a prestação.
Com ele atrelado no bruto parti.
Eu era meu próprio patrão.
Dividindo da estrada o espaço,
Scania, Volvo, FIAT, GMC e outros mais.
Meu potente cavalo de aço,
Se sobressaía entre os demais.
Sentia-me orgulhoso
vendo o bruto ser admirado.
Conduzia o caminhão poderoso
quilômetro após quilômetro rodado.
Cada volta para casa
era motivo de alegria.
No trecho mandando brasa.
Na estrada, feliz me sentia.
Na política uma confusão.
Bagunçada a economia.
Rodando por este chão.
O povo é que sofria.
Em um retorno para o lar,
reencontrei colega de escola.
Uma beleza pra se admirar,
mas ela nunca me deu bola.
Naquele encontro porém,
por ela um doce sentimento.
Percebi que ela também,
E isso deu-me grande alento.
Começamos a namorar.
conheci a família dela.
Fui com sua mãe conversar.
Situação difícil aquela.
Pela estrada eu ia
trabalhando sem cessar.
A volta motivo de alegria
Para ela eu reencontrar.
Viajarmos os dois não podíamos.
Somente depois de casar.
Cada vez mais nos entendíamos.
e queríamos juntos sempre ficar.
Ela era uma mulher culta,
bonita sensível e inteligente.
Na estrada, levar multa
não me deixava contente.
Policiais queriam propina
Isso me causava revolta.
Pensava na linda menina
e apressava minha volta.
Trabalhando ano após ano
comprei casa pra casar.
Meu Mercedes Benz, soberano
Muitas toneladas a carregar.
Após meu casamento,
sonho enfim realizado.
Na pista de rolamento
continuo com meu trucado.
Não descuido da manutenção.
Com ele tenho todo cuidado.
Afinal ganho a vida no caminhão
A cada quilômetro rodado.
Cinquenta anos completados
já nos dias atuais.
Com tantos quilômetros rodados
Meu caminhão ainda quer mais.
Com ele ganho meu pão.
e na estrada tiro o sustento.
Meu Mercedes Benz em ação,
dirigí-lo eu ainda aguento.
Da família no aconchego
o caminhão já faz parte.
A qualquer lugar que com ele chego,
é admirado como uma obra de arte.
O que meu avô fez para mim
eu farei para algum neto.
E quando eu partir, enfim,
caminhão ficará como sinal de afeto.”
Roberto Dias Alvares.

Meu Avô Caminhoneiro

Como tem feito ultimamente, illness drugstore nosso amigo Roberto Dias Alvares nos enviou há algumas semanas mais uma de suas bonitas crônicas de estrada, case formatadas como poesia. As seguintes palavras acompanhavam o texto:

“Evandro, boa tarde.
Esta estória que envio faz parte de uma trilogia.
Cada uma delas tem seu final, mas estão interligadas em uma sequência.
Está é a primeira delas. Espero que aprecie.
Grande abraço.
Roberto Dias Alvares”

Eis a estória:

MEU AVÔ CAMINHONEIRO

Cavalo Mecânico Mercedes Benz LPS 331 6×2
Autor: Roberto Dias Alvares

Um jovem de nome Rafael
no campo mostrava seu valor.
Desempenhava seu papel.
Era filho de um agricultor.

Família unida no trabalho e na fé.
Sem parar, trabalhava insistente.
Sua lida era na cultura do café.
Rafael tinha outra coisa em mente.

Quando chegavam caminhões
para do café fazer transporte.
Entre todas as profissões,
de caminhoneiro batia mais forte.

Quando fez dezoito anos completos
Recebia do pai dinheiro da colheita.
Dos sonhos, aquele mais concreto,
vida estradeira, aquela por ele aceita.

Sonhava entre quatro paredes,
com GMC, FNM, Ford, Chevrolet Brasil.
De todos, encantara-se com Mercedes,
quando cavalo mecânico ele viu.

Pensava: “Um dia este lugar eu deixo”.
Neste momento ouviu a aproximação
cavalo mecânico com terceiro eixo.
Encantou-se por aquele caminhão.

Enquanto ajudava a carregar
aquela carreta colossal.
Ao motorista pôs-se a perguntar
sobre aquele caminhão sem igual.

Mercedes LPS 331 era o emblema
que fazia do bruto a identificação.
Segundo o dono, nunca dera problema.
Era um belo e vigoroso caminhão.

Quando viu o bruto indo embora
jurou que compraria seu caminhão.
Sabia que chegaria a sua hora
de conhecer o Brasil e cortar o sertão.

Passaram-se seis anos,
Rafael guardando seu dinheiro.
caminhão estava nos seus planos.
Pensava nisso o tempo inteiro.

Certo dia aquele rapaz
viu retornar á propriedade
aquele caminhão de seis anos atrás
que continuava bonito de verdade.

Perguntou ao homem se vendia
seu belo e potente caminhão.
Respondeu que vender aceitaria.
Mas queria todo dinheiro na mão.

Foram até a pequena cidade
para sacramentar o negócio.
Viveu tantos anos sem vaidade
para comprar o bruto sem sócio.

O dono, homem sincero e franco
usando de toda a coerência,
ao pegar o dinheiro no banco
fez do caminhão a transferência.

Com honestidade que lhe compete,
aquele senhor tendo por nome André,
acompanhou-o na entrega do frete.
A carreta carregada com sacas de café.

Enquanto Rafael dirigia,
senhor André pôs-se a explicar,
como ao caminhão conduzia
e as marchas como trocar.

Quando retornou ao sítio
já dirigia com desenvoltura.
Teria como princípio
na estrada não fazer loucura.

Seu pai torceu o nariz
e sua mãe ficou preocupada.
Mas vendo o quanto estava feliz
nenhum dos dois lhes disse nada.

Os sitiantes de toda a região
contratavam o seu serviço.
Levava de tudo no caminhão.
Era feliz pois sonhara com isso.

Tirou a sua habilitação
e assim ficou mais tranquilo.
Com prazer dirigia o caminhão.
Nascera para fazer aquilo.

Trabalhava semana após semana.
Enfrentando sol, calor e poeira.
Quando conheceu a jovem Ana
sabia que seria a única e a primeira.

Com ela, Rafael se casou.
Foram felizes lado a lado.
No trecho ele continuou,
dirigindo seu cavalo trucado.

Foram tantos anos de trabalho.
Muitas lutas e poucas conquistas.
No caráter jamais teve um ato falho.
Era amigo de todos os frentistas.

Troca de óleo e a revisão
para Rafael era sagrado.
Confiava em seu caminhão
tendo por ele todo cuidado.

Em cada retorno ao lar
a esposa esperava um filho.
Mais e mais tinha que viajar.
Partia tendo no olhar um brilho.

Novas marcas de caminhões
com ele dividiam a estrada.
No trecho eram tantas emoções
que ele não trocava por nada.

O tempo passou, filhos criados
chegou também a velhice.
Nas viagens sentia-se cansado.
“Hora de parar”, sua esposa disse.

Ele estava reticente
em parar de dirigir caminhão.
Mas sua esposa ficou doente
e isso precipitou sua decisão.

Senhora Ana sofria de demência
e precisava de total atenção.
Rafael teve enfim ciência:
Nunca mais dirigiria seu caminhão.

Tinha vários netos e uma neta
mas só um deles o visitava.
Sua tristeza não era completa.
Sobre a vida na estrada perguntava.

Ao neto Rafael contava histórias
na varanda deitado em uma das redes.
Na estrada, momentos de glórias.
Falava com orgulho de seu Mercedes.

Depois que a esposa ficara doente
aos filhos disse ter vendido o caminhão.
Na realidade, Rafael somente
o escondeu dentro de um galpão.

Quando Dona Ana partiu
Senhor Rafael ficou entristecido.
Seu juízo também sumiu.
Vivia com seu olhar perdido.

De seus bens fizera a doação
mantendo sua casa em usufruto.
Seu neto lhe perguntava do caminhão,
mas já não lembrava mais de seu bruto.

Quando Rafael foi para DEUS
ninguém mexeu na casa ou no galpão.
Reuniram-se os filhos seus
para de seus bens fazer distribuição.

Quando foi lido o documento
havia uma carta para aquele seu neto.
Terminou de ler e no mesmo momento
correu ao galpão, de alegria repleto.

Mil novecentos e oitenta e três,
Senhor Rafael, de DEUS na glória.
O que seu neto viu e depois fez
será contado em outra história.

Missão, Visão e Valores – Caminhões Antigos Brasileiros

Logo-Caminhão-Antigo-Brasil

Há muito estamos planejando divulgar um “par de linhas” para nortear a operação deste espaço digital e para deixar claras as “regras do jogo”. Embora informais e flexíveis como devem ser, try stuff muitas vezes estas regras – claras em nossa mente – não eram tão evidentes assim na ótica do leitor, sale hospital gerando questionamentos e comentários nem sempre em linha com nossas expectativas, rx até então ocultas.

Esperamos que nossa Missão, Visão e Valores tornem os propósitos deste espaço cada vez mais transparentes e que você, amigo(a) leitor(a) continue nos prestigiando com seus comentários, doações e visitas, enquanto aproveita um conteúdo cada vez mais útil e agradável.

Como sempre, fique à vontade para “dar seu pitaco”. Teremos prazer em revisar o conteúdo abaixo quantas vezes forem necessárias para atender às suas expectativas, a razão de nossa existência na Internet.

 

MISSÃO

Resgatar a história dos veículos comerciais brasileiros, sobretudo dos caminhões, mas também incluindo, entre outros, ônibus, carroçarias, implementos, utilitários, picapes, veículos de serviço, máquinas agrícolas, de construção e de mineração, aviões, navios, material ferroviário, grupos geradores, moto-bombas e motores.

VISÃO

Ser uma referência na Internet em termos de informações gratuitas sobre veículos comerciais brasileiros antigos, com o propósito de disseminar o conhecimento entre as pessoas interessadas no assunto, através da publicação catálogos, folhetos, manuais, fotos, crônicas, textos, desenhos, croquis, miniaturas e todas as formas de documentação histórica digitalizada, bem como do intercâmbio entre o moderador e os leitores, por meio da troca de comentários e do debate de ideias e conceitos.

VALORES

Respeitar pessoas, fabricantes, marcas e instituições, demonstrado através da argumentação e no debate construtivo, baseado na verdade.

Respeitar os direitos autorais.

Respeitar o meio-ambiente.

Respeitar a legislação vigente.

Agir sempre com ética e neutralidade, sem tomar partido, nem enaltecer uma marca ou produto em detrimento de outro(a), por melhor que seja.

Manter foco exclusivo nos veículos e máquinas nacionais fora-de-linha, abstendo-se da postagem de material sobre produtos em fabricação corrente e/ou disponível nos websites dos fabricantes.

Abster-se de postagens, discussões ou comentários ofensivos e/ou de caráter político, religioso, sexual, erótico, pedófilo, ou étnico.

Concentrar-se nas postagens, comentários técnicos, históricos, saudosistas, enaltecendo o que cada produto ou empresa tem de melhor, sempre que possível.

Prover resposta a todas as solicitações, de forma altruísta, sempre que possível.

Responder a todos os comentários enviados pelos leitores.

Postar todo o material doado pelos leitores, em ordem cronológica de recebimento, sempre que possível, e que esteja em linha com o conteúdo proposto para este site, citando a fonte e dando o justo crédito.

Dar preferência sempre ao material impresso em português, salvo nos casos em que só exista em outro idioma e que esteja no estreito interesse da preservação da memória de veículos e máquinas brasileiras.

Adicionar, ocasionalmente, material sobre veículos e máquinas estrangeiras de países vizinhos, ou oriundos de seus países de origem, sempre que os mesmos estejam em sintonia ou inseridos em algum contexto relativos aos similares ou concorrentes nacionais.

Aceitar doações de leitores preocupados em ajudar com os custos de manutenção do site e com a preservação histórica da memória dos veículos comerciais brasileiros, sempre os reconhecendo publicamente.

Estabelecer parcerias ou patrocínios que ajudem na consecução dos propósitos acima listados.

O Anjo da Guarda – Fiat FNM 210 6×2

Nosso amigo Roberto Dias Alvares nos brinda com uma de suas criativas “crônicas-poesias”, viagra treat se é que podemos assim chamar seus belos trabalhos.

Acompanhe a partir de agora a aventura do caminhoneiro José e seu fiel companheiro, o FNM 210 trucado.

O ANJO DA GUARDA
FIAT FNM 210 6×2

Foi na Serra do Cadeado
que aconteceu esta passagem.
Caminhão bem carregado
José descia seguindo viagem.

José, caminhoneiro religioso
fazia sempre sua oração.
Naquele trajeto perigoso
dirigindo seu belo caminhão.

Carregado de muito café
No porto, descarregaria.
Orando a Deus com muita fé,
protegido sempre estaria.

Parou para o almoço
o restaurante no alto do morro.
Naquele momento chovia grosso.
Pôs na cabeça seu gorro.

Após o almoço, um cochilo.
Acordou e foi para a luta.
Seguia dirigindo tranquilo.
Um ruído, pôs-se na escuta.

Quando José pisou no freio
percebeu que estava perdido.
Tinha em Deus o seu esteio.
Sem Ele não teria conseguido.

O caminhão ganhando embalo
Descia em grande velocidade.
Tentava controlar seu cavalo,
mas tinha nisso dificuldade.

Aquilo era muito estranho
pois por seu antigo caminhão
tinha um cuidado sem tamanho
mantendo em dia a revisão.

FIAT duzentos e dez trucado,
o cavalo era seu grande xodó.
Com ele muitos quilômetros viajado.
Pisava fundo sem ter dó.

Por aquela Serra assustadora
descia descontrolado.
A situação desesperadora.
Pensou que tudo estava acabado.

Em seu ombro sentiu uma mão,
por um segundo ficou paralisado.
Dentro da cabine uma visão.
Um homem de branco a seu lado.

O homem pedia a ele calma
dizia que tudo terminaria bem.
De outro mundo seria alma?
Benzendo-se disse: “Amém”!

Aquele espectro todo branco
apareceu em plena luz do dia.
Causou nele ainda mais espanto.
Que confiasse nele, pedia.

José controlou o medo.
“Quem é você”? Perguntou.
A aparição não fez segredo
“Seu Anjo da Guarda eu sou”.

Em questão de um minuto
durou o diálogo com a aparição.
Ele lutava pra controlar o bruto
mas piorou ainda mais a situação.

Vários carros a sua frente
ele tentando engatar terceira.
O Anjo falou docemente:
“Desvie seu caminhão para a ribanceira”.

Ele não podia acreditar
naquilo que o Anjo dizia.
Mas para tragédia maior evitar
O que mais ele faria?

O Anjo disse novamente:
“Tenha fé e acredite no que digo”.
Se continuasse em frente
levaria a outras pessoas o perigo.

Fez o que o anjo tinha dito.
Sua carreta saltou no vazio.
Olhos fechados, soltou um grito.
Não acreditou quando os abriu.

No sofá-cama banhado em suor,
Ele acordou e passou a mão no cabelo.
No rosto, surpresa e pavor.
Suspiro aliviado, aquilo fora um pesadelo.

Mas parecera tão real
tudo aquilo que tinha acontecido.
Quanto tempo afinal
ele tinha no caminhão dormido?

Quando sentiu-se mais tranquilo
resolveu recomeçar a viagem.
De sua mente não saia aquilo.
A visão do Anjo fôra miragem?

Antes de dar a partida
José fez algo inesperado:
No caminhão deu uma conferida,
para ver se não tinha nada errado.

Debaixo da carreta uma olhada.
ali viu algo muito feio.
Tubulação de óleo fora cortada,
Não funcionaria o freio.

Manchas de óleo no chão,
deixaram-no assustado.
Fora deliberada ação.
Poderia ter se acidentado.

Um mecânico foi chamado
em pouco tempo fez o conserto.
Disse que fora algo deliberado
e que ele passaria aperto.

O mecânico quis saber
como descobriu o defeito assim.
Ouviu José dizer:
“Meu Anjo da Guarda cuida de mim”.

Fez uma oração a Deus.
Anjo da Guarda, agradecimento.
Deu uma batida nos pneus
E na viagem deu seguimento.

Alguns quilômetros a frente
daquela chuvosa quarta-feira,
parecia ter ocorrido acidente.
Carreta caíra na ribanceira.

Havia ali tanta gente
e uma grande confusão.
Olhou lá embaixo, á sua frente
viu um destroçado caminhão.

Pensou naquele momento
que poderia estar morto.
Fez a Deus novo agradecimento
e seguiu viagem para o porto.