Desenho: E assim nasceu o VW Tipo 2…

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Para estrear, temos o artigo escrito por nosso amigo Daniel Shimomoto de Araujo, um admirador de caminhões, com vasta experiência em diversos modelos. Seu relato não poderia ser mais interessante, com inúmeras curiosidades e fatos pitorescos sobre uma variedade de caminhões.

O Daniel também nos presenteou com fotos de sua bela e valente F-1000 XLT 4×4, ano 1998, conforme descrita no texto.

Daniel, muito obrigado por sua gentil e rica colaboração!

Forte abraço, Evandro.

Segue o texto do Daniel:

“Caro Evandro:

Sinto-me prestigiado em conhecer o seu site dedicado aos caminhões nacionais que povoam até hoje nossas estradas e rodovias. Veiculos que povoaram a infância e adolescencia de muitos e ainda hoje estão presentes em nosso cotidiano! Minha relação com caminhões é antiga…desde que sou pequeno quando meu pai era socio de uma construtora. E lá quando ia ao deposito da empresa sempre ficava apreciando os “pesados” que tinha lá (e as Kombis também).

O pessoal me chamava de “febroso” afinal eu queria sempre montar na cabine ou então, depois quando cresci um pouco mais, dirigir os pesados. Lá eu me lembro bem…da linha Mercedes tinha dois LB-2213 ano 1980 com betoneira, um LK-2213 (que depois meu pai adquiriu e mandou para a Fazenda) com caçamba. O 1113 “Munckinho” (1976?) que acredito que meus tios o mantenham até hoje.

Havia um 1313 trucado que era estranhissimo: Ele tinha entreeixos de 4,2m e uma carroceria de madeira bastante curta. Depois meu avô comprou um L-2014 1988 para a Fazenda que era usado na construtora, de maneira esporádica. Todos os Mercedes eram azuis exceto o 1313 que era vermelho. Meu pai gostava de Ford: Havia um F-600 verde com um tanque  (que pertence até hoje a um tio meu na Fazenda ele e serve para irrigar café recém plantado), caindo aos pedaços. 3 Ford F-11000 (um era 1992 cinza chumbo – eu comprei esse caminhão da empresa para a Fazenda – os demais Ford’s azuis deviam ser entre 86/89 pois tinham freios a vácuo e roda de 6 furos. Um deles tinha um pequeno munck e o fim dele foi trágico, quando perdeu o freio e entrou na traseira de um onibus urbano…Ninguém se feriu gravemente mas o caminhão ficou torto e foi vendido.

E havia também um Ford branco, um F-14000 (acho que era 1990 – modelo quadrado) chassis longo (212pol de entreeixos) um Fordão enorme, que foi adquirido para transportar uma Retroescavadeira Ford 6600 que era pesadissima (coisa de 7500 kg) E por fim, havia um Fiat 210 cavalo com munck (o chamado “munckão”) e prancha três eixos…Todo mundo tinha medo do “Fietão” pois sair com ele era a certeza de que ele daria trabalho no meio do caminho…

Na Fazenda eu me lembro do F-600 azul, 1980 (que por sinal está impecavelmente conservado até hoje com seu segundo dono) Perkins. Depois vieram os modelos que eu tive a oportunidade de dirigir por diversas vezes  LK-2213 basculante (que eu já comentei dele), um L-1214 bicudo 1990 (Adquirido da Antartica, tinha o jocoso apelido de “Pinguim”) e o F-11000 1992 (tambem ja falei dele lá atrás). Na Fazenda sempre que podia, dava umas escapadas de caminhão “para matar as lombrigas de dirigir” como se diz. Depois que passei a Administrar a Fazenda, as escapadas de caminhão ficaram mais dificeis mas de sabado…bem, sabado é sabado!

O LK-2213 era surradissimo: Adquirido já arrebentado da construtora, o basculantão ganhou o apelido de “Urutu” na Fazenda. Por ser o modelo de 2 cardãs e diferencial de 48 dentes na coroa, ele funcionava 6×4 em tempo integral. Andar a 60km por hora na estrada com ele era uma aventura sem tamanho, parecia que tudo iria desmontar. Era emocionante, tudo trepidava, da caçamba basculante a cabine, ponteiro do velocimetro…isso sem falar no barulho de cardã batendo, engrenagem roncando e tudo mais…O unico problema do caminhão: Não havia coroa que aguentasse o tranco!  Estava sempre com um dos diferenciais estralando. Cheguei a mandar retirar o cardã do truck mas com o molejo do tipo feixe invertido, o veiculo simplesmente sucumbia ao primeiro areião.

O outro Mercedes era o L-1214. Confortável ao extremo, o caminhão era apenas razoável, porque eu não sei se em decorrencia de ele ter sido veiculo de frota ou por ser da primeira leva de bicudos, o Mercedes era frágil, quase um vidro. E a despeito da coroa de 43 dentes, o OM366 aspirado mostrava sua limitação com 150 sacas de café na carroceria (9.000kg – o 1214 engolia o ronco que dava medo de ver). Depois, já cansado de ser sócio de mecanico com meus Mercedes Benz, vendi os dois e comprei o Ford F-11000 1992 da sociedade dos meus tios….Foi a melhor decisão que podia ter tido. Feio (a cor chumbo desbotada deixou o caminhão feio pra encrenca – depois mandei pintar ele de prata e ai ficou bonito novamente), foi chamado de “Aviso Prévio” pois ele havia substituido o belissimo 1214 na Fazenda…e ai saiu a conversa que era a maneira mais inteligente de demitir um motorista com 20 anos de casa.

O 11000 fez de tudo na Fazenda: Carregou palha de café para terras aradas, mudanças (inclusive a minha pessoal) máquinas e implementos agricolas, foi condução particular (certa vez, estando sem carro, o meu na funilaria e o da Fazenda na oficina, fiquei uma semana com o Fordão usando ele como “automóvel” pela cidade) e o serviço mais legal de todos: Transportar café. No inicio, limitei a 150 sacas por viagem (cada viagem correspondia a 25km sendo 14km em terra e o restante em asfalto), mas como 150 sacas parecia pouco para a força do MWM D-229/6N veiculo, começamos a aumentar a carga…160, 180 até o máximo de 205 sacas transportadas num veiculo eixo simples, com pneus diagonais 9.00×20 e apenas um molejo levemente reforçado… O F-11000 aguentou o rojão para valer. Era “pau para toda obra” mesmo! Usavamos ele como trator, caminhão, veiculo, enfim, valeu cada centavo investido na máquina. Os unicos defeitos apresentados eram relativos a embuchamento de eixo dianteiro, que sofria com o excesso de areia das estradas. Quando vendemos a propriedade, eu tirei o F-11000 do negocio…pensei em ficar com ele mas racionalmente era impossivel: Simplesmente não tinha onde guardar um caminhão, e, o que faria com um caminhão? Não sou profissional, não o usaria para trabalho, e simplesmente guardar por guardar….precisaria de espaço coisa que eu não tinha mais.

Ai com tristesa acabei vendendo o Ford F-11000 para a mesma pessoa que adquiriu a propriedade e queria ficar com ele de todo o jeito. Mas como dirigir veiculos pesados é viciante, acabei comprando agora aquilo que chamo de solução de compromisso: Compromisso que permite ir a qualquer lugar, seja no interior, seja na capital de São Paulo, compromisso com espaço para guardar e, especialmente o compromisso mais importante: O Matrimonial, aquele que a esposa “deixa” a gente ter: Comprei uma Ranger 2007 comprada zero por uma F-1000 XLT 4×4 1998/1998. E ainda voltei dinheiro (F-1000 vale mais que Ranger). E de uma certa forma mantenho vivo meu gosto de andar de caminhãozinho por ai!

Um forte Abraço Daniel.”
Eis aqui a prova de que um simples rabisco pode resultar em ideias esplêndidas.

Em 1947, cialis Ben Pon, information pills
dono do revendedor Volkswagen na Holanda, o primeiro fora da Alemanha, teve a brilhante ideia de desenhar um veículo utilitário inusitado, inexistente no planeta. Tinha formato de pão de forma, motor traseiro e controles avançados, com banco do motorista sobre o eixo dianteiro. Tinha tudo para não dar certo.

Quem poderia imaginar que o resultado de seu risível desenho, ridicularizado por uns, seria o lendário VW Kombi? Um ícone pop cultuado no mundo todo, que assistiu até à morte do Fusca, e ainda continua em produção (e bem vendido, diga-se) no Brasil, depois de quase cinquenta e seis anos ininterruptos…

Não mate seus sonhos antes que eles se frutifiquem. Coloque-os no papel. Quem sabe seu esboço não vira uma nova Kombi…

vw_original_sketch