Especial – Scania nos EUA

Scania USA 01 Scania USA 02 Scania USA 03 Scania USA 04 Scania USA 05 Scania USA 06 Scania USA 07 Scania USA 08 Scania USA 09 Scania USA 10 Scania USA 11 Scania USA 12 Scania USA 13 Scania USA 14 Scania USA 15 Scania USA 16 Scania USA 17 Scania USA 18 Scania USA 19 Scania USA 20 Scania USA 21 Scania USA 22

Embora este espaço seja dedicado em especial aos caminhões antigos brasileiros e afins, medicine de tempos em tempos somos impelidos a abrir exceções, see em nome do interesse histórico de certos materiais que chegam até nós. É o caso deste belo catálogo enviado pelo amigo Fernando Furini, search ricamente ilustrado por caminhões suecos comercializados nos Estados Unidos. Para complicar (…), trata-se de um catálogo em inglês, algo que sempre tentamos evitar, em respeito ao nosso público brasileiro e ao nosso idioma pátrio. Mas como a marca em questão é a Scania – com seu enorme carisma e admiração no Brasil, não tínhamos como deixar de publicar esta literatura tão inusitada dos anos oitenta, baseada em testemunhos de frotistas satisfeitos.

Naqueles tempos, a Scania tentava desbravar o mercado norte-americano, o maior do mundo ocidental. Ao contrário da Volvo, que comprou a GMC, a White e a Mack, a Scania tentou quebrar os paradigmas que separam as escolas europeia e americana de frente, com produtos europeus adaptados à realidade “yankee”. Apesar dos testemunhos positivos do catálogo, no final das contas, a empreitada acabou não dando certo. No planeta caminhão, o abismo cultural que separa os dois continentes foi demasiado grande para a Série 2 cobrir. Mesmo com as customizações, como a configuração 6×4 estradeira (praticamente inexistente no Velho Mundo) e de uma longa lista de requisitos legais (como os faróis “sealed beam”), os Scanias não emplacaram na “América”. Ficou a lição de que o mercado americano, requer produtos americanos, não europeus requentados. O mesmo valendo para o Brasil, em sentido inverso, ou seja, o mercado brasileiro requer produtos europeus e não americanos requentados…

A Volvo, por seu turno, avançou, comendo o pudim pelas beiradas. Com o passar do tempo e o nome já estabelecido, a empresa foi deixando de lado os nomes GMC e White, gradativamente sobrepujados pela barra diagonal e a marca sueca original. Porém, a Volvo não correu o risco de matar a lenda viva chamada Mack. Aos poucos foram surgindo produtos de projeto Volvo, com componentes redesenhados especificamente para os gostos (e as leis) norte-americanos. Um produto memorável desta fase foi o convencional Volvo VN, com a cabina emprestada da família H europeia, ampliada e modificada, opção de motores Volvo, Detroit ou Cummins, em geral. O VN até lembrava o jeito do NH brasileiro. Hoje passados quase trinta anos desde a incursão inicial sobre a GMC, a posição do Grupo Volvo é invejável na América do Norte, com respeito e aceitação crescentes. E, nos mercados vocacionais sobretudo, a Mack continua vivíssima da silva, apesar dos protestos dos veteranos da casa em usar componentes Volvo…

Há rumores inclusive de uma suposta gama vocacional Mack em vias de aportar por aqui (ou seria Renault Trucks?). Em todo caso, hoje ao se examinar o mercado americano nota-se que apenas a Navistar não se juntou a ninguém (nem comprou, nem foi comprada). A Paccar (Kenworth e Peterbilt) deu passos acertados aos assumir a DAF, com a consequente diversificação de produtos e mercados. A Daimler seguiu o caminho parecido ao da Volvo, comprando a então combalida Freightliner e investindo bilhões, até que a mesma alcançasse o pódium das vendas anos depois. A solteirice da Navistar desperta olhos grandes de dois grupos que querem muito botar os pés na América do Norte: a VW (dona da Scania e da MAN) e o Grupo FCA (leia-se Fiat Chrysler, dono da Iveco). Não fosse o tremendo passivo trabalhista da Navistar e os altíssimos custos de garantia que vêm incorrendo depois das besteiras com o motor Maxxforce 13 e a malfadada estratégia do EGR, bem que o valor de mercado da empresa parece interessar a muitos investidores internacionais. A recente venda da JV hindu para a Mahindra, a saída do mercado sul-africano (tradicional reduto dos 9800 quase “made in Brazil”), a suposta venda da MWM, e a volta dos Cummins para as casas de máquinas dos International são passos que parecem cirurgicamente estudados para deixar a centenária companhia enxutona para um eventual “take-over” (absorção). Quem se arrisca?

 

 

 

16 ideias sobre “Especial – Scania nos EUA

  1. Parabéns pela postagem! Sou um fã de carteirinha da Scania e gostei bastante, sempre pesquisei sobre essa indiada dela nas terras do Tio Sam e nunca achei catalogos nem nada a respeito.

  2. Uau! Que aula Evandro!

    Muito boa explanação e me despertou a atenção para o fato da Navistar estar sozinha nesse mercado totalmente interligado!

    Falando de Navistar mas dessa vez de motores…outro dia baixei uma brochura dos motores Maxxforce e acabei observando algo curioso: O canibalismo entre linhas de produto! Usarei os nomes antigos para facilitar a leitura.

    Na faixa veicular de 140 – 170cv, alta rotação, Euro III, a empresa oferece os Sprints 4.07 4.08 e o NGD3.0E. Usos diferentes mas que poderiam ser unificados em um único produto.

    Tem os 6.12E 7,2L coexistindo com o antigo Powerstroke 6,4L na faixa dos 300cv

    Na faixa de motores agricolas, os Maxions S4 e S4T de 3,9L e 4,1L concorrendo com os D-229/4

    E nos estacionários e geradores, a coisa é ainda pior com a série 229, série 10 e uma série 12 mecanizada juntos, e nos 4 cilindros, ainda com a presença dos S4.

    Minha duvida: Compensa manter toda uma sorte de motores produzidos em pequenas escalas? Não seria melhor condensar tudo em linhas de produto mais restrita mas adaptadas para cada aplicação (ex. manter o Série 10, criar um série 10 3 cilindros, retirando todos os S4 e 229 de linha)?

    Um grande Abraço

    • Amigo Daniel, sua constatação sobre a linha de motores da referida empresa é o resultado da fusão de duas linhas com grande “overlap” de produtos, quando da aquisição da MWM pela IESA (International Engines South America), esta última resultante da compra da antiga Maxion. Somado ao fato, havia a incapacidade ou falta de vontade ($$$) de investir na harmonização das aplicações que já empregavam distintos motores outrora concorrentes, então abraçados sob o mesmo guarda-chuvas. O resultado é a colcha de retalhos que você bem constatou, com pouca sinergia, muita complexidade e altos custos de manufatura. Grato por comentar. Abraço.

  3. Muito interessante esse catálogo! Não imaginava tal empreitada por parte da Scania. Mais interessante ainda é seu relato histórico sobre como os suecos entraram nesse tão diferente mercado do europeu. Evandro, você poderia falar mais sobre essa aquisição da GMC pela Volvo? E os cavalos 6×4 na Europa hoje, são mais usados ou o forte ainda são os 4×2? Obrigado!

    • Caro Odair, grato por seus comentários. A Volvo adquiriu a White (no passado, um gigante do mercado de caminhões e uma das mais tradicionais marcas norte-americanas) e a divisão de caminhões pesados GMC no final dos anos oitenta, como forma de alavancar sua entrada no mercado norte-americano. A configuração 4×2, e mesmo 6×2 em alguns países, ainda predomina no segmento rodoviário pesado de longa distância no continente europeu. Os 6×4 e 8×4 estão mais direcionados às cargas indivisíveis e aos nichos vocacionais (como básculuas e betoneiras, por exemplo). Abraço.

  4. Olá Evandro,

    sensacional esse post, desconhecia esses passos da Scania nos EUA, e mais interessante ainda como andam as coisas por lá. Mas a VW já tem caminhões pelas bandas de lá, meu cunhado que mora em Miami já viu muitos caminhões VW rodando por lá. A Iveco com o Powerstar australiano já estaria bem ao gosto americano também. Aqui em Belo Horizonte tem um deles, qualquer dia fotografo e mando pro site!

    Abraço

    • Caro Lucas, grato por suas palavras. Na verdade, os VW observados em Miami certamente fazem parte das exportações da marca no final dos anos oitenta, quando os modelos de 210 cv eram vendidos pela Paccar, com as marcas Kenworth e Peterbilt. Há muito este negócio deixou de operar entre as marcas. Desconhecemos qualquer iniciativa recente da MAN nos Estados Unidos, embora este seja um anseio em nível corporativo. Abraço.

  5. Nunca sequer imaginei que a Scania tivesse tentado se aventurar no mercado americano, apesar da curiosidade que o L-111 desperta pela marca em alguns americanos quando veem fotos desse modelo. Acredito que o maior empecilho tenha sido em permanecer exclusivamente com os motores Scania, enquanto outros fornecidos por fabricantes independentes pudessem ter um custo menor que o de adaptar o produto europeu ao controle ambiental americano, mais rigoroso.

    • Daniel, de fato, a falta de um Scania com motor Cummins, Detroit ou Cat, certamente deve ter sido um obstáculo. A Volvo, assim como a Freightliner, só recentemente se atreveu a introduzir motor próprio naquele mercado, anos depois de se render às marcas citadas. Grato.

  6. Que bom que o pessoal gostou desse catálogo!
    Talvez se a Scania tivesse mesmo dado a opção de escolha de motores, ela teria se saído melhor nos EUA. Difícil saber hoje em dia. Mas a Scania que eu conheço, jamais permitiria que o motor, um componente de tamanha importância e prestígio, ficasse a cargo de outra empresa. Eles o veem como o coração da máquina, e que esse coração deve ser da casa. Motores Scania são um dos componentes de maior orgulho deles praticamente desde que começaram a fabricá-los em 1936. Mesmo sendo atualmente Cummins e Caterpillar tão bons quanto, o fato é que os caminhões dos EUA possuem uma enorme salada de motores, câmbios e diferenciais, de várias marcas, podendo gerar dezenas de combinações de trem de força, enquanto que a Scania não usa nada que não seja dela própria. Tem muito mais tecnologia envolvida nos caminhões Scania e Volvo do que nos americanos, mas o povo americano não se importa com isso como os europeus, eles só querem agradar o próprio gosto, sendo ele sensato ou não. Eu particularmente, não acho nada sensatas as soluções adotadas e largamente utilizadas pelos americanos.

    • Até entendo esse orgulho que a Scania tem em fazer tudo em casa, embora eu também aprecie a grande modularidade e adaptabilidade dos projetos americanos a diferentes cenários operacionais. Cabe salientar que agora a Ford vai adotar uma estratégia semelhante à da Scania nos medium-duty da próxima geração (nesse caso eu lamento pela eliminação da oferta pelo motor Cummins) no mercado americano, usando apenas o motor Powerstroke (além do V10 a gasolina que eu acho particularmente insano) e um câmbio automático da própria Ford.

  7. gostaria de saber se nos estados unidos existem muitos caminhõe scania,pois assisto muitos videos de lá e não vejo scanias nas estradas.Obrigado.

    • Caro Lourival, a Scania nunca se deu bem nos EUA. O conceito europeu de caminhão é radicalmente diferente do apreciado na Terra do Tio Sam. Este foi um dos motivos do fracasso da Scania por lá. Grato pela pergunta. Abraço.

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Complete a conta. *