Dentre o farto material enviado pelo amigo Alfredo Rodrigues, hoje destacamos este anúncio da picape Ford F-1000 Turbo de 1991. O modelo foi o primeiro do gênero no Brasil a ser equipado com turboalimentador de fábrica.
Num tempo em que grande parte dos usuários de picapes diesel costumava instalar o turbo por conta própria, a Ford resolveu contabilizar este mercado adicional, desenvolvendo esta versão de sua bem sucedida picape com um novo motor MWM dotado de turbo Garret, modelo T-315.
Internamente, o novo motor TD-229.EC4 tinha várias mudanças, como os pistões com nova câmara de combustão, novas bielas, novos mancais e virabrequim, todos reforçados para suportar as maiores solicitações. O resultado eram 119 cv, contra os 87 cv da versão naturalmente aspirada. O torque máximo chegava a 37 mkgf a 1.600 rpm. Com o novo propulsor, a F-1000 atingia os 100 km/h em 18 segundos, a partir da imobilidade, contra letárgicos 32 segundos da versão sem turbo, conforme teste da Revista Quatro Rodas, de janeiro de 1991.
O desenvolvimento deste motor levou muita gente a pensar que uma versão de 6 cilindros – muito esperada nos caminhões da Série F e nos VW – fosse debutar na sequência, o que acabou não ocorrendo, em grande parte devido ao desenvolvimento da nova família X-10.

Um polaco que foi colega do meu pai na FAB tinha uma F-1000 Turbo preta idêntica a essa, mas com capota de fibra na carroceria.
Daniel, legal. Isso me fez lembrar que meu finado pai teve uma F-1000 1988 quase zero, com turbo adaptado pelo dono anterior. Era um carro espetacular. Fiz uma viagem de São Paulo até Paulo Afonso e Natal em uma semana, rodando uma média de 800 a 1000 km por dia e o desempenho era impecável. Não baixava uma gota de óleo entre trocas, uma novidade para quem estava acostumados com os 500 km/litro dos Mercedes OM-314. A F-1000 só era decepcionante no barro. Uma verdadeira bailarina. Grato por comentar.
Essa história da F-1000 bailarina eu lembro que tu já tinha contado. Será que ninguém na Ford pensava em oferecer ao menos um bloqueio de diferencial naquela época?
Daniel, a nossa tinha diferencial blocante que dava um tranquinho na hora de sair da imobilidade, mas que não fazia diferença sequer no barro. Abraço.
Também não dá para querer que se faça milagre, considerando a distribuição de peso entre os eixos. Não é à toa que antigamente era comum lastrear as caminhonetes com um saco de areia (com mais ou menos 90kg) na carroceria.
Daniel, exatamente. Eu mesmo já fiz isso nos (bons) tempos de F-250. Um abraço.
Essa dai marcou época. Era uma picape linda e equipada com o indestrutivel Clark 2615B fez um conjunto ímpar.
O TD-229EC, dentre outros predicados, tem uma boa durabilidade quando aplicado na F-1000 além do consumo comedido de combustivel (melhor que do S4T e muitissimo melhor que o MWM 4.10T das 1997-1998).
Daniel, grato por mais um comentário interessante! Abraço.
Olá Evandro,
show de bola essa picape, que acabou forçando a GM a lançar a D-20 com o Maxion turbinado.
Um vizinho meu tinha uma idêntica a essa, porém a gasolina, com motor Ford V8. Sabe me dizer se saiu alguma picape com esse motor V8 de fábrica ou se seria adaptação? O carro era muito bem feito.
Abraço
Lucas, grato por comentar. De fato, a F-1000 Turbo motivou a reação da GM neste sentido. Quanto ao V8, eles só saíram nas F-100 nacionais produzidas até o final dos anos 70. Um abraço.