4 thoughts on “Ford F-7000 DDA

  1. Nosso leitor Henrique nos indaga sobre a história dos motores Detroit no Brasil, através de email, aqui reproduzido:

    Prezados

    Parabéns pelo excelente site!

    Tenho lido e fiquei surpreso em saber mais sobre a Detroit Diesel no
    Brasil, principalmente o motor do F 8000 e F 8500, o cavalo mecânico
    da Ford.
    Mas gostaria de saber o porque do término das atividades no Brasil,
    acho que era associada a GM, e também foi utilizado em caminhões
    D 60.
    Vocês tem alguma notícia sobre o término das atividades?
    e porque muitos não gostam deste motor?
    Obrigado

    att

    Henrique.

    • Caro Henrique, boa tarde!

      Obrigado por nos visitar e por sua interessante indagação.

      A Detroit Diesel Allison era uma divisão da General Motors do Brasil, cuja presença no país teve início em 1939 com a importação dos primeiros caminhões GMC Diesel, equipados com os motores que mais tarde seriam batizados de Detroit.

      Os modelos da Série 71 ganharam grande popularidade nos anos cinquenta, debaixo do capô dos caminhões pesados GMC, bem como dos ônibus GM Coach, operados por empresas como a Cometa, Expresso Brasileiro, Breda, entre tantas.

      Na fase de fabricação nacional, durante a década de setenta, os motores da Série 53, de 4 cilindros e V6 eram produzidos em São José dos Campos, SP e equiparam os modelos Chevrolet D-60 e Ford F-7000, FT-7000, F-8000, FT-8000 e F-8500, estes três últimos com o V6.

      Sua concepção mecânica de pequena cilindrada, ciclo dois tempos e compressor volumétrico exigia uma nova forma de conduzir, em rotações mais elevadas. A manuntenção também requeria cuidados especiais, com mecânicos apropriadamente treinados. Ambos os requisitos de operação e manutenção eram muitas vezes esquecidos e, com isso o resultado acabava sendo trágico, com inúmeras falhas reportadas. Entretanto, esta visão é polêmica e havia operadores que simplesmente julgavam a qualidade do produto inadequada e a aplicação mal resolvida para a realidade brasileira.

      Em 1979, a GM decidiu parar de fabricar o Série 53, sob forte protesto de muitos transportadores que exigiam indenizações e trocas de motores, depois de uns 35 mil Chevrolet D-60 e cerca de 6 a 7 mil Fords assim equipados. No total, na época, estima-se que havia cerca de 55 mil motores Detroit em operação no país, incluindo os importados, em veículos e também em aplicações industriais.

      Grande abraço, Evandro.

      • Nosso leitor Henrique nos respondeu por email, reproduzido abaixo, aproveitando para incluir mais alguns questionamentos.

        “Prezado Evandro!

        Obrigado pela excelente resposta e também pela publicação da minha pergunta!

        Lendo o site percebo que a história dos caminhões é tão interessante quanto a história dos

        carros no Brasil, antigamente pensava que todo motor diesel era Perkins ou MWM, e mais

        nada.

        Uma pena que não deram valor aos motores Detroit, eu li numa reportagem, faz um tempinho que

        as auto bombas do corpo de bombeiros, aquelas importadas tem motores Detroit, e rodam a mais

        de 20 anos aqui em São Paulo, e acho que a mais tempo pelo mundo todo.

        Gostaria de fazer outra pergunta, me lembro que os 1ºs caminhões Cargo tinham motores Ford a

        Diesel, e que davam alguns problemas, inclusive acho que a fábrica forneceu uma espécie de repotencialização

        destes caminhões, colocando MWM, você conhece esta história?

        Me lembro também de uma vez passeando com meu pai, acho que nos anos 80, era criança, e vi um

        caminhão, acho que F 350 ou F600, não lembro, e estava escrito V 6 como identificação no motor, e

        meu pai disse que não tinha nada de V6 e nem era Ford, e olhando alguns anúncios antigos, eu vi que

        de fato não era V6, mas 6 em linha, porque usam o molde do símbolo v do V 8, mas no anúncio

        dizia que este motor diesel era fundido pela própria Ford, isto nos anos 60, será que era um Perkins

        produzido com autorização pela Ford? ou um motor ford diesel de origem americana.

        Obrigado

        abraços

        Henrique”

        • Amigo Henrique, a história dos caminhões brasileiros é fascinante. Muito contada e pouco documentada, com milhares de admiradores, pouco amparados, já que não temos associações ou clubes dedicados ao assunto, nem tampouco publicações impressas, restando modestos espaços como este. Estamos torcendo para reverter esta situação em breve.

          De volta às suas pertinentes perguntas.

          De fato, os caminhões da linha Cargo e mesmo alguns F-4000 foram equipados com motores FNH, muito bons, mas que deixaram de atender os níveis de emissões gasosas previstos e, desse modo, estrategicamente, à época a Ford não teve interesse de investir na modernização desta família de motores diesel. A participação acionária da Ford na Cummins e a venda da FNH (Ford New Holland) para o Grupo Fiat, bem como o sucesso dos motores Cummins Série C nos caminhões VW 14.210 e 16.210 (antes e durante a Autolatina) aceleraram o processo substituição dos motores Ford por Cummins, a partir do início dos anos noventa. Leia mais em: http://caminhaoantigobrasil.com.br/category/catalogos-e-folhetos/ford-thames-rhein-catalogos-e-folhetos/ford-cargo-euro-1/cargo-3224-e-3530-1995/

          Nesta época, tanto a Cummins como a MWM ofereciam kits de repotenciamento para os proprietários de Cargo com motor FNH.

          Enquanto isso, este que lhe escreve trabalhava na Engenharia de Produto da Cummins, dando suporte à Ford em Tatuí, no programa de validação dos motores Série B no Cargo, que deu origem aos modelos 1215 e 1415, equipados com o 6BT 5.9, de 160 cv.

          Você tem razão quanto à motorização dos modelos “Super Ford”, produzidos entre 1962 e 1972, com o citado emblema que deixava dúvida quanto ao arranjo de cilindros do motor. Trazia os seguintes dizeres: “Ford _6_Diesel_ F 600″, para indicar a motorização Perkins 6.340 de 130 cv brutos, ou 6.357 de 5,8 litros e 144 cv brutos, a partir de 1965. O bloco de cilindros dos primeiros Perkins era fundido em Osasco pela própria Ford.

          Grato pelas interessantes indagações e observações!

          Um abraço,

          Evandro.

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