Inferno no Asfalto – Scania LKS141

Anuncio do SCANIA LK 6X2

Direto do nosso querido Paraná, ask o amigo e colaborador Roberto Dias Alvares nos envia mais uma de suas saborosas aventuras pelas estradas brasileiras, thumb  desta vez a bordo de um saudoso Scania LKS 141, shop pilotado pelo João Vicente.

O anúncio que ilustra este post também foi mais uma cortesia do Roberto.

 

INFERNO NO ASFALTO
(Scania LKS 141 6×2)
Autor: Roberto Dias Alvares

João Vicente, rapaz honrado,
após dois anos no serviço militar,
já tinha seu destino planejado.
Comprar um caminhão e casar.

Angela, sua namorada,
esperara com paciência.
Sua volta por ela aguardada
sofrendo na sua ausência.

João Vicente guardara dinheiro
para comprar seu caminhão.
Sempre sonhara ser caminhoneiro.
Para isso mostrara determinação.

Com Angela o casamento.
Sonho da moça realizado.
Foram a um estacionamento,
onde o caminhão seria comprado.

Após muita pesquisa,
uma máquina ali parada
João vendo-se pelo pára-brisa
Scania LKS cabine avançada.

O cavalo bem cuidado.
Tinha pouca rodagem.
Caminhão preparado
para enfrentar qualquer viagem.

Fechou ali mesmo o negócio.
Pagou do valor a metade.
O restante no consórcio,
pagaria sem dificuldade.

Saiu ele e a sua amada,
Com a alegria estampada no rosto.
Seguindo feliz pela estrada,
parou para abastecer no posto.

Avisou pelo rádio amador
aos companheiros da estrada,
que tinha mais um trabalhador
no trecho com máquina turbinada.

A noite caiu depressa.
Dormiram dentro do caminhão.
Na cama-leito foi expressa
entre os dois uma louca paixão.

No dia seguinte saiu
procurando carga para levar.
Velho amigo ali viu,
e com ele foi conversar.

Era de seu pai um amigo
que o conhecia desde menino.
Avisou-o sobre perigo,
pois o trecho era cruel e assassino.

Por Antonio carreteiro chamado,
vira muitas coisas nessa vida.
Agora já estava aposentado.
Deixara de lado essa lida.

João Vicente pegou carregamento
para ser levado á Goiás.
Ia pela pista de rolamento.
Seguia dirigindo em paz.

Aquela grande transportadora
pertencia a homem ganancioso.
Político influente, no passado fora.
Tinha negócio ilegal grandioso.

Chamava-se senhor Dirceu
e quase não era visto.
Tinha sob o comando seu
de negócios um império misto.

De maneira clandestina
caminhoneiros tinham de levar
maconha e até cocaína,
no meio da carga pra disfarçar.

Á João Vicente fez a proposta.
Fazer carregamento ilegal.
Acompanhado de guarda-costa,
forte e com cara de mal.

O jovem João Vicente
disse que isso não faria.
O homem ficou descontente.
Achou que o rapaz toparia.

João Vicente rapaz honesto
não aceitaria coisa errada.
Tinha palavra e todo o resto
para ele não importava nada.

O rapaz fez da carga a inspeção
para saber se estava tudo certo.
Viu na carreta de seu caminhão,
grande caixote semi-aberto.

Com embalagens de café disfarçado,
ali no meio bem escondido,
pacotes com um pó esbranquiçado.
Era cocaína, tinha percebido.

Mandou que fosse retirado
aquela caixa com droga ilegal.
O homem mostrou-se zangado.
Olhou pra ele com cara de mal.

Aquele caixote foi retirado.
João Vicente já ia saindo.
Seu velho amigo a seu lado
com ele estava seguindo.

Antonio carreteiro iria
acompanhá-lo naquela jornada.
Estava preocupado se via,
prevendo dificuldades na estrada.

João Vicente dirigia,
e o amigo ia ao lado.
Lá fora, ensolarado dia,
Vários quilômetros tinham rodado.

Olhando pelo retrovisor
aproximava-se caminhão com rapidez.
prevendo situação de terror,
ficou mais atento por sua vez.

O cavalo Scania jacaré ultrapassou
e a um quilômetro á frente,
no meio da pista atravessou.
O que faria João Vicente?

Sem nem a menos pestanejar,
esbarrou no cavalo e seguiu em frente.
A perseguição iria continuar.
Tinha de fazer algo urgente.

João Vicente pegou seu rifle de repetição.
Antonio carreteiro assumiu o volante.
Saiu pela janela do caminhão.
Subiu no reboque baú  em um instante.

No teto do reboque baú rastejando
João Vicente esperou o momento certo.
O cavalo mecânico rápido chegando.
Precisava estar ainda mais perto.

João Vicente em rápido movimento
apontou e disparou com precisão.
O motor do bruto acusou o vazamento
Fez-se ali uma grande explosão.

O cavalo mecânico pelo fogo tomado.
Dois homens saiam apressadamente.
João Vicente ficou preocupado.
“Por que fizeram isso com a gente”?

Antonio carreteiro afirmou:
“Predomina o crime organizado”.
“Dono da transportadora que mandou”.
“Pois fazer o que ele queria foi recusado”.

Ao deixar a carga no destino
João Vicente percebeu algo errado.
Homem com jeito cretino
recebeu o carregamento mal humorado.

João Vicente não conseguia parar.
Mal chegou, outro frete já carregado.
Era só um reboque vazio desengatar
que o outro reboque já estava preparado.

Quis conferir o carregamento de fruta
mas alegaram que tempo não havia.
João Vicente partiu para a luta.
Rodar a noite toda ele precisaria.

Achou aquela atitude estranha
e resolveu parar e verificar.
Pouca distância fora ganha,
O que viu não podia acreditar.

Insuportável era o cheiro
que exalava do furgão.
Tentaram enganar o caminhoneiro
fazendo-o levar aquela podridão.

Á Antonio carreteiro ajuda pediu,
pois não sabia o que fazer.
O velho caminhoneiro decidiu
até a transportadora retroceder.

Só havia um vigilante
pois já estava fechada.
Imobilizaram-no em um instante.
Ao pátio a carreta foi levada.

Haviam reboques parados.
Abriram um a um para verificar.
Um deles estava carregado
com frutas boas para se levar.

Pegou a Nota fiscal
e atrelou o reboque no cavalo.
dirigiu a noite toda até o destino final
sem ninguém para atrapalhá-lo.

Deixou o carregamento de frutas
recebeu o pagamento justo.
Na rodovia, duas máquinas brutas
deram-lhe um grande susto.

Enquanto retornava para o lar,
por dois caminhões perseguido.
Tentaram da estrada tirar.
Mas isso não foi conseguido.

Tentaram bater em seu caminhão
mas ele escapou desta cilada.
Deixou ambos fora de ação,
dando neles uma fechada.

Tendo chegado ao seu lar.
Recebido com beijo apaixonado.
Após delicioso jantar,
ambos dormiram abraçados.

Já era início da madrugada,
um barulho assustador.
Bola de fogo jogada,
verdadeira cena de horror.

Garrafas de gasolina
explodiram dentro da residência.
Ele protegeria sua menina,
mesmo sozinho imporia resistência.

A porta estava sendo forçada.
O rifle estava no caminhão.
Se ela fosse derrubada,
Usaria como arma a sua mão.

Escondeu a esposa no banheiro.
Faca de cozinha para defesa.
O que faria o caminhoneiro?
Usaria sua coragem e destreza.

A porta foi derrubada
entraram quatro mascarados.
Escuridão, não se via nada
Um dos bandidos foi nocauteado.

Desferiu soco violento
Jogando adversário no chão.
Viu outros três nesse momento
corriam em sua direção.

Entrou em luta corporal.
Pelos homens foi agarrado.
Um deles sacou um punhal
para nele ter alvejado.

Enquanto por dois era agarrado,
iria alvejá-lo o terceiro.
Nos dois agressores apoiado,
acertou um pontapé certeiro.

O agressor caiu no chão.
O punhal fincado na parede da sala.
dos dois outros sofreu agressão.
Procuravam a esposa para pegá-la.

João Vicente ao ser chutado,
segurou a perna do seu agressor.
Virou-a violentamente para o lado,
causando no homem muita dor.

Correu atrás do outro invasor
que agarrara sua amada.
Usando todo seu vigor,
foi um festival de pancada.

Vendo a esposa chorando
descontou no malfeitor sua ira.
Ela agredida, boca sangrando.
Violento soco no homem desferira.

Telefonou para o delegado
contando o que aconteceu.
Homem da lei mas subornado
Após uma hora apareceu.

O delegado disse a João
que era melhor esquecer aquilo.
Para sua estupefação,
homem da lei tentava dissuadí-lo.

João disse que iria registrar queixa
levaria sua esposa ao hospital.
Uma coisa dessas não se deixa.
Seria um prêmio a quem faz o mal.

manhã seguinte na delegacia
nenhum dos homens detidos.
Não acreditou no que via.
Advogado e juiz liberaram bandidos.

João Vicente percebeu então
o quanto Dirceu era poderoso.
De crime comandava organização.
Era um homem tenebroso.

João começou a pensar
Falando com cada caminhoneiro
Não podiam aceitar,
serem explorados o tempo inteiro.

Caminhoneiros começaram a se negar
fazer transporte de coisas ilegais.
Dirceu não poderia tolerar
audácia e atrevimento de um rapaz.

João queria tirar a esposa da cidade.
Com alguém grande havia mexido.
Para conseguir frete tinha dificuldade.
Por Dirceu, sabia, era perseguido.

As transportadoras menores
temiam aquele homem inescrupuloso.
Seus proprietários não eram melhores
não desobedeciam homem temeroso.

João viu-se em dificuldade.
Como pagaria a prestação?
Conseguir frete a necessidade,
ou ficaria sem seu caminhão.

Foi para outro Estado,
buscar frete para o transporte.
Conseguiu voltar carregado
e nisso teve muita sorte.

Procurou a Corregedoria,
Comandante da polícia Federal.
Contou tudo o que sabia
e que Dirceu era um homem mal.

O Comandante fez afirmação,
que deixou João animado.
Dirceu já era alvo de investigação.
Em breve ele seria apanhado.

O Comandante pediu sigilo
para não prejudicar a investigação.
João ficou contente ouvindo aquilo.
Seria alívio Dirceu indo para prisão.

Dirceu, homem cruel
vendo em João Vicente, ameaça.
Temendo tornar-se réu,
jurou que acabaria com sua raça.

Aproveitando sua ausência
Homens foram a sua casa de surpresa.
Sem a esposa dar a anuência
entraram com extrema rudeza.

Agrediram sua esposa,
que estava no início da gravidez.
Dirceu, ardiloso como uma raposa
achou que triunfaria desta vez.

Quando João recebeu a notícia
que sua esposa estava no hospital.
Nem pensou em chamar a polícia.
Resolveria esta situação afinal.

A sua esposa felizmente,
não perdera a criança.
Mas João, de ódio doente,
queria a qualquer custo vingança.

Foi até a sede da empresa.
De Dirceu o quartel general.
Certamente não haveria surpresa.
Bem informado aquele homem mal.

Duzentos quilômetros rodaria
até chegar àquele castelo envidraçado.
João Vicente não imaginava o que faria,
Mas sentia que DEUS estava a seu lado.

Já era noite escura
quando João chegou ao portão.
Parado em frente àquela altura,
Tinha de tomar sua decisão.

Á entrada da empresa
seguranças bem armados.
João Vicente não teve certeza
se seu plano deveria ser continuado.

Mas agora não tinha volta.
Lembrou o que fizera Dirceu.
Freio do bruto ele solta,
com fúria, seu cavalo correu.

Pelo retrovisor ainda viu
sirenes e giroflex ligados.
A marcha não diminuiu.
Com o impacto, o portão derrubado.

Uma seqüência de disparos
Não intimidou João Vicente.
Dirceu pagaria bem caro
e disso estava consciente.

Á frente da empresa pode ver
de vidro, um imenso painel.
Símbolo  de Dirceu e seu poder.
Sentiu na boca gosto amargo de fel.

Uma rampa até o painel
subiu seu cavalo de aço.
Saltou, cruzando o céu.
Painel de vidro em pedaços.

Semi-destruído seu caminhão.
Ele estava bem machucado.
Ouvia sirenes vindo em sua direção.
De repente ficou desacordado.

Quando despertou no hospital,
todos os caminhoneiros da região.
Fizeram um dia de parada total.
Não circulou nenhum caminhão.

Ficou sabendo por seu amigo
que Dirceu, na empresa fora preso.
Provas mostravam ser ele um bandido
manipulando trabalhador indefeso.

Muitos caminhoneiros de testemunha
contaram ser pressionados a transportar.
Em meio á carga, droga ele punha.
E esse carregamento tinham de levar.

Com Dirceu na prisão
os caminhoneiros tiveram paz.
Acabou sendo a sua libertação
graças ao corajoso rapaz.

A esposa de João
deu á luz belo menino.
O seguro pagou seu caminhão
e na estrada seguiu seu destino.

5 ideias sobre “Inferno no Asfalto – Scania LKS141

    • Davi, bom dia! Muito tradicional a Morada. Passamos boa parte da vida admirando seus caminhões na Washington Luís, quando viajávamos a Catanduva, para visitar parte da família. Bons tempos!

  1. Evandro, obrigado pelas preciosas informações técnicas que possibilitaram e possibilitam enriquecer minha obra com detalhes corretos principalmente quando se trata dos valorosos caminhões do passado.

  2. Ao Davi Cabral, obrigado por agregar com seu comentário. Lembro de ter visto esta página em uma revista abandonada, isso há uns 30 anos atrás por volta de 1983 e não resisti. Destaquei a página e guardo ela até hoje.

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Complete a conta. *