Mercedes-Benz L-608 E – 1976

Sim, viagra amigo leitor, a data é essa mesma. 1976. Não me equivoquei.

Se você, como eu, pensava que o L-608 E era coisa dos anos 80 – quando a Mercedes resolveu dar uma esticada no PBT de 6 para 6,5 toneladas para deixar o Mercedinho mais competitivo frente ao Ford F-4000 – se enganou, como nos mostra este interessantíssimo folheto enviado pelo amigo Jordan Felipe Peter Paes, do Paraná, que inclusive é feliz proprietário de um 608 D.

Pois bem, com data de novembro de 1976, apesar de a foto claramente mostrar um L-608 D, o folheto do misterioso L-608 E exibia um PBT de 6.500 kg, resultante do aumento da capacidade do eixo traseiro de 4.000 para 4.400 kg e da efetiva utilização dos 2.100 kg de capacidade do trem dianteiro, coisa que nunca ocorreu no L-608 D. Nele, a somatória dos 2.100 kg da dianteira mais os 4.000 kg da traseira resultavam em 6.000 kg. Por algum fator limitante desconhecido, o PBT não era 6.100 kg. 100 kg ficavam pelo caminho, em algum canto. Seguindo receita similar à adotada no L-608 E dos anos 80, o obscuro irmão homônimo dos anos 70 também fazia uso de pneus 7.50 x 16, em lugar dos 7.00 x 16 do L-608 D.

Mas a grande pergunta que fica é: será que o L-608 E existiu mesmo nos idos de 1976, 1977? Ou não terá passado de um ensaio da Mercedes? As estatísticas oficiais de produção da Anfavea não ajudam ao mostrar apenas um vago “L 608”, sem hífen e o que é pior, sem “D”, nem “E”, para atiçar nossa curiosidade. O mesmo se repete até o fim da vida do “L 608”.

Sabemos que, em 1984, o Mercedinho passou por um programa de atualizações que resultou na chamada Nova Série, com novo painel, novas janelas com vidro de acionamento vertical e quebra vento, chave de seta com retorno automático, faixas decorativas e outros aprimoramentos. E sabemos também que em 1987, o L-608 E – uma versão melhorada do Nova Série – cedeu lugar ao L-708 E, com PBT aumentado de 6.500 para 6.600 kg.

Se você sabe mais sobre o L-608 E de 1976, por favor, divida conosco seu conhecimento. Caso contrário, será mais um caso que entrará para os “Mistérios da Estrela”, já com diversos enigmas a serem desvendados. Se encontrássemos as repostas, certamente renderia um bom livro sobre o tema.

L 608 E 1L 608 E 2

 

9 ideias sobre “Mercedes-Benz L-608 E – 1976

  1. Interessante saber que o PBT do 708E era de 6.600 kg, no adesivo daquele que eu pilotava nas safras, dizia peso de 3.300 kg e carga de 2.800. Coisa que obviamente na safra nunca é respeitava, o normal era chegar aos 5.400 de carga líquida, com recorde de 5.600. Confesso que apesar do motor raquítico, o câmbio era bem escalonado pra força, tendo 1ª, 2ª e 3ª bem próximas e bem reduzidas. A direção sem assistência e a conhecida ausência de freios dos MB (eu chamo o pedal não de freio, mas de desembalador, você pisa e ele diminui um pouco o embalo), não deixam saudade!

    • Olá, Fernando. Com muitos km atrás do volante de um LO-608 D, compactuo com quase todas as suas opiniões, sobretudo no quesito freio. É de dar medo, ver o pedal quase na tábua, o ponteirinho vermelho da pressão de frenagem quase colado no branco da pressão total e o bicho desembestando, sem sinal de querer parar. Além disso, a embreagem dura, apesar de hidráulica, também me incomodava, em especial com trânsito carregado. A direção nunca achei pesada, talvez pelo costume de dirigir outras antiguidades…

      Grato por comentar.

  2. E mais uma raridade revelada neste site lembro que um vizinho nosso comprou um 608E zero km em 1986 passou uns 90 dias para chegar esse e mais um daqueles caminhoes que comparado com o atual acelo deixa muita saudades no espaço da cabine

    • Olá, Ivo. Grato pelo relato. Apenas lembrando que este 608 E é de 1976, diferente do 1986, que já trazia as melhorias da nova série. Um abraço.

    • Daniel, tem certeza de que era um 608 E dos anos 70?!? O mais comum era o dos anos 80, com emblemas pretos. Eu nunca vi um desses. Grato por comentar. Um abraço.

  3. BOA NOITE…

    MAS UMA ARTE DA MARCA,EU MESMO COMO O AMIGO NUNCA OUVI FALAR DO 608 E ANTES DOS ANOS 80,PELO QUE DA PRA VER NO FOLHETO ELE EXISTIU,MAS SERA QUE VEIO,SUMIU,E TEMPOS DEPOIS VOLTOU? SE ELE TIVESSE FICADO MAIS TEMPO NO MERCADO ERA MAIS COMUM DE VER O MODELO,OU SERIA MAIS UM MODELO DE EXPORTAÇÃO DA MARCA,DE UM MODO OU OUTRO É MAIS UMA DA MARCA

    LENDO O POST DO AMIGO,JA ME CLAREOU UMAS DUVIDAS QUANTO AOS ANOS DA REESTILIZAÇÃO DO 608 E LANÇAMENTO DOS 708

  4. Trabalhei muito com um 608 D na cidade onde morava. Comecei a conduzido tinha meu 15 anos e fazia a safra junto com meu pai que pilotava o seu L1113 ano 77.
    Por sinal a 608 também era 77, às primeiras a ter embreagem “hidráulica” e freio melhorados, os pedais já eram tipo de carro e ficavam pendurados pra cima e não como as antigas que entravam no assoalho tipo a dos 1113.
    O freio eu achava ótimo para as cargas que fazíamos e tiravamos do meio das roças, normalmente colocavamos 5500…algumas vezes 6000kg e quase sempre dava “cepo” nas serras. Então tiravamos o filtro e do lugar que estávamos parado arrancava…ela andava uns 3 metros e afogava novamente, assim fazia até varar toda a serra kkkk. Nunca quebrou a caixa e muito menos diferencial.
    Motor consumia mais óleo queimado do que diesel. Cabeçote fizemos 1 vez junto com bomba injetora. Ela era do estado de São Paulo dos correios.
    SINTO SAUDADES DAQUELA ÉPOCA. (14 anos atrás)

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