O Anjo da Guarda – Fiat FNM 210 6×2

Nosso amigo Roberto Dias Alvares nos brinda com uma de suas criativas “crônicas-poesias”, viagra treat se é que podemos assim chamar seus belos trabalhos.

Acompanhe a partir de agora a aventura do caminhoneiro José e seu fiel companheiro, o FNM 210 trucado.

O ANJO DA GUARDA
FIAT FNM 210 6×2

Foi na Serra do Cadeado
que aconteceu esta passagem.
Caminhão bem carregado
José descia seguindo viagem.

José, caminhoneiro religioso
fazia sempre sua oração.
Naquele trajeto perigoso
dirigindo seu belo caminhão.

Carregado de muito café
No porto, descarregaria.
Orando a Deus com muita fé,
protegido sempre estaria.

Parou para o almoço
o restaurante no alto do morro.
Naquele momento chovia grosso.
Pôs na cabeça seu gorro.

Após o almoço, um cochilo.
Acordou e foi para a luta.
Seguia dirigindo tranquilo.
Um ruído, pôs-se na escuta.

Quando José pisou no freio
percebeu que estava perdido.
Tinha em Deus o seu esteio.
Sem Ele não teria conseguido.

O caminhão ganhando embalo
Descia em grande velocidade.
Tentava controlar seu cavalo,
mas tinha nisso dificuldade.

Aquilo era muito estranho
pois por seu antigo caminhão
tinha um cuidado sem tamanho
mantendo em dia a revisão.

FIAT duzentos e dez trucado,
o cavalo era seu grande xodó.
Com ele muitos quilômetros viajado.
Pisava fundo sem ter dó.

Por aquela Serra assustadora
descia descontrolado.
A situação desesperadora.
Pensou que tudo estava acabado.

Em seu ombro sentiu uma mão,
por um segundo ficou paralisado.
Dentro da cabine uma visão.
Um homem de branco a seu lado.

O homem pedia a ele calma
dizia que tudo terminaria bem.
De outro mundo seria alma?
Benzendo-se disse: “Amém”!

Aquele espectro todo branco
apareceu em plena luz do dia.
Causou nele ainda mais espanto.
Que confiasse nele, pedia.

José controlou o medo.
“Quem é você”? Perguntou.
A aparição não fez segredo
“Seu Anjo da Guarda eu sou”.

Em questão de um minuto
durou o diálogo com a aparição.
Ele lutava pra controlar o bruto
mas piorou ainda mais a situação.

Vários carros a sua frente
ele tentando engatar terceira.
O Anjo falou docemente:
“Desvie seu caminhão para a ribanceira”.

Ele não podia acreditar
naquilo que o Anjo dizia.
Mas para tragédia maior evitar
O que mais ele faria?

O Anjo disse novamente:
“Tenha fé e acredite no que digo”.
Se continuasse em frente
levaria a outras pessoas o perigo.

Fez o que o anjo tinha dito.
Sua carreta saltou no vazio.
Olhos fechados, soltou um grito.
Não acreditou quando os abriu.

No sofá-cama banhado em suor,
Ele acordou e passou a mão no cabelo.
No rosto, surpresa e pavor.
Suspiro aliviado, aquilo fora um pesadelo.

Mas parecera tão real
tudo aquilo que tinha acontecido.
Quanto tempo afinal
ele tinha no caminhão dormido?

Quando sentiu-se mais tranquilo
resolveu recomeçar a viagem.
De sua mente não saia aquilo.
A visão do Anjo fôra miragem?

Antes de dar a partida
José fez algo inesperado:
No caminhão deu uma conferida,
para ver se não tinha nada errado.

Debaixo da carreta uma olhada.
ali viu algo muito feio.
Tubulação de óleo fora cortada,
Não funcionaria o freio.

Manchas de óleo no chão,
deixaram-no assustado.
Fora deliberada ação.
Poderia ter se acidentado.

Um mecânico foi chamado
em pouco tempo fez o conserto.
Disse que fora algo deliberado
e que ele passaria aperto.

O mecânico quis saber
como descobriu o defeito assim.
Ouviu José dizer:
“Meu Anjo da Guarda cuida de mim”.

Fez uma oração a Deus.
Anjo da Guarda, agradecimento.
Deu uma batida nos pneus
E na viagem deu seguimento.

Alguns quilômetros a frente
daquela chuvosa quarta-feira,
parecia ter ocorrido acidente.
Carreta caíra na ribanceira.

Havia ali tanta gente
e uma grande confusão.
Olhou lá embaixo, á sua frente
viu um destroçado caminhão.

Pensou naquele momento
que poderia estar morto.
Fez a Deus novo agradecimento
e seguiu viagem para o porto.

2 ideias sobre “O Anjo da Guarda – Fiat FNM 210 6×2

  1. A cada cronica publicada não posso deixar de agradecer a DEUS pela inspiração em escrever e também no amigo Evandro Fullin por disponibilizar o espaço neste prestigioso blog que homenageia os brutos antigos.
    Aos leitores, espero que gostem…

    • Amigo Roberto, por favor agradeça somente ao nosso Grande Criador, por sua brilhante inspiração. O que faço aqui é o mero papel de instrumento condutor de seu talento. Aliás, confesso, a inspiração – de onde quer que ela venha – é mesmo um dom Divino, que só valorizamos quando nos falta, como me tem faltado ultimamente para cumprir alguns compromissos assumidos… Mas esta é outra história.

      Mais uma vez parabéns e obrigado por sua rica contribuição. Um forte abraço.

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Complete a conta. *