Dando continuidade às postagens das colaborações do nosso amigo Daniel Shimomoto de Araujo, treatment hoje você encontra aqui o trator agrícola Valmet 785 4×2, try na sua versão Fruteira.
Daniel, obrigado mais uma vez!
5 ideias sobre “Valmet 785 4×2 Fruteiro”
Evandro,
Tive dois exemplares desse modelo de trator, adquiridos para tracionar uma colheitadeira de arrasto de café.
Trata-se de uma máquina muito boa, relativamente economica e com caracteristicas curiosas, tanto de motor quanto de construção. Vamos a elas
-> Todo sistema de trasnsmissão é herdado do 685, implicando um trabalho mais “no limite” do conjunto, mais suscetível a desgaste como um todo em comparação com o modelo menor.
-> Devido ao tipo de construção da transmissão, há a necessidade do uso de aneis sincronizadores. Apesar disso, engatar qualquer marcha com o trator em movimento é somente “no tempo”.
-> O engate da tomada de força é comandado por embreagem cuja alavanca vai no painel (vide imagem)
-> Nas aplicações cafeeiras, o MWM necessita trabalhar em alta rotação para dar 540 rpms na tomada de força, o motor precisa trabalhar a mais de 2000rpms. Isso é especialmente relevante pois uma das principais funções no café (e mesmo em citros) é tracionar pulverizadores dotados de um pesado ventilador (demandando potencia da TDP) para aplicação de defensivos. Neste quesito, os Massey e Ford’s trabalham em 1700 rpms e 1600 rpms respectivamente. Vale a menção que a curva de potencia do D-229, em decorrencia disso não era tão favorável como a dos Perkins e dos FTO/Genesis diesel para aplicações em café e citros, sendo perceptível o “engolir o ronco” ao usar a tomada de força em serviço pesado e colocando o trator em movimento.
Em um dos 785, usado para tracionar uma pesada colheitadeira de café, mandei abrir a rotação limite da bomba para 3000 rpms (igual na F-1000). Melhorou um pouco o desempenho da maquina (e incrementou um pouco o consumo), mas longe de ficar bom como o Massey 275 de motor “Maxion S4 by International MWM” se mostrou (apesar deste ultimo beber mais de 9L por hora e o Valmet, 8L).
-> Alguns Valmet’s vinham com bomba injetora Bosch em linha e outros com a rotativa CAV. Os meus eram CAV.
-> Ainda sobre o MWM: Apesar dessas peculiaridades, um dos Valmet’s que tive e que mais foi usado em serviços extra-pesados necessitou de reforma apenas com 10 mil horas de uso. O outro tinha mais de 12 mil horas de uso quando foi vendido.
Daniel, riquíssimos comentários, que só mesmo você seria capaz de estruturar, graças ao seu conhecimento da máquina e dos conceitos mecânicos envolvidos!
Ao ler suas linhas, fiquei imaginando, tal como com as pessoas, de cada máquina se pode extrair o melhor, quando estas estão em seu melhor “habitat”, ou ainda na sua faixa ideal de utilização.
Enquanto no mundo automotivo, o MWM é genericamente considerado “melhor” (tomo cuidado com este poderoso e às vezes destrutivo superlativo) que os Perkins (ou Maxion), na lavoura a coisa muda de figura, como você bem reportou.
Assim, quando se indaga sobre um veículo, máquina, ou motor, a resposta é sempre um lacônico “depende”, muito adotado pelos engenheiros… Pois, de fato, depende!
Obrigado por enriquecer este post como eu jamais saberia fazer.
Obrigado pelos elogios! É mais a vivência de quem é apaixonado por maquinas&motores e que tenho o enorme prazer em compartilhar!
Quanto ao MWM, um comparativo de um motor mais veicular (MWM) comparado com outro de origem agricola pode ser feito na F-4000 (http://caminhaoantigobrasil.com.br/ford-f-4000-1987/f4000-2-2/). Atente aos valores de potencia e torque de um e de outro e observe que o motor Ford obtém apenas 2cv’s a mais de potencia mas em rotação menor e os valores de torque do FTO são mais elevados e em rotação menor.
Meu amigo, comprei um trator deste e estou muito satisfeito, mas gostaria de conseguir um manual do proprietário pois o mesmo já teve um outro dono que deu fim ao seu manual. posso conseguir, ou não tem condições?
Evandro,
Tive dois exemplares desse modelo de trator, adquiridos para tracionar uma colheitadeira de arrasto de café.
Trata-se de uma máquina muito boa, relativamente economica e com caracteristicas curiosas, tanto de motor quanto de construção. Vamos a elas
-> Todo sistema de trasnsmissão é herdado do 685, implicando um trabalho mais “no limite” do conjunto, mais suscetível a desgaste como um todo em comparação com o modelo menor.
-> Devido ao tipo de construção da transmissão, há a necessidade do uso de aneis sincronizadores. Apesar disso, engatar qualquer marcha com o trator em movimento é somente “no tempo”.
-> O engate da tomada de força é comandado por embreagem cuja alavanca vai no painel (vide imagem)
-> Nas aplicações cafeeiras, o MWM necessita trabalhar em alta rotação para dar 540 rpms na tomada de força, o motor precisa trabalhar a mais de 2000rpms. Isso é especialmente relevante pois uma das principais funções no café (e mesmo em citros) é tracionar pulverizadores dotados de um pesado ventilador (demandando potencia da TDP) para aplicação de defensivos. Neste quesito, os Massey e Ford’s trabalham em 1700 rpms e 1600 rpms respectivamente. Vale a menção que a curva de potencia do D-229, em decorrencia disso não era tão favorável como a dos Perkins e dos FTO/Genesis diesel para aplicações em café e citros, sendo perceptível o “engolir o ronco” ao usar a tomada de força em serviço pesado e colocando o trator em movimento.
Em um dos 785, usado para tracionar uma pesada colheitadeira de café, mandei abrir a rotação limite da bomba para 3000 rpms (igual na F-1000). Melhorou um pouco o desempenho da maquina (e incrementou um pouco o consumo), mas longe de ficar bom como o Massey 275 de motor “Maxion S4 by International MWM” se mostrou (apesar deste ultimo beber mais de 9L por hora e o Valmet, 8L).
-> Alguns Valmet’s vinham com bomba injetora Bosch em linha e outros com a rotativa CAV. Os meus eram CAV.
-> Ainda sobre o MWM: Apesar dessas peculiaridades, um dos Valmet’s que tive e que mais foi usado em serviços extra-pesados necessitou de reforma apenas com 10 mil horas de uso. O outro tinha mais de 12 mil horas de uso quando foi vendido.
Forte Abraço
Daniel, riquíssimos comentários, que só mesmo você seria capaz de estruturar, graças ao seu conhecimento da máquina e dos conceitos mecânicos envolvidos!
Ao ler suas linhas, fiquei imaginando, tal como com as pessoas, de cada máquina se pode extrair o melhor, quando estas estão em seu melhor “habitat”, ou ainda na sua faixa ideal de utilização.
Enquanto no mundo automotivo, o MWM é genericamente considerado “melhor” (tomo cuidado com este poderoso e às vezes destrutivo superlativo) que os Perkins (ou Maxion), na lavoura a coisa muda de figura, como você bem reportou.
Assim, quando se indaga sobre um veículo, máquina, ou motor, a resposta é sempre um lacônico “depende”, muito adotado pelos engenheiros… Pois, de fato, depende!
Obrigado por enriquecer este post como eu jamais saberia fazer.
Um forte abraço.
Evandro,
Obrigado pelos elogios! É mais a vivência de quem é apaixonado por maquinas&motores e que tenho o enorme prazer em compartilhar!
Quanto ao MWM, um comparativo de um motor mais veicular (MWM) comparado com outro de origem agricola pode ser feito na F-4000 (http://caminhaoantigobrasil.com.br/ford-f-4000-1987/f4000-2-2/). Atente aos valores de potencia e torque de um e de outro e observe que o motor Ford obtém apenas 2cv’s a mais de potencia mas em rotação menor e os valores de torque do FTO são mais elevados e em rotação menor.
Mais uma vez obrigado pelos Elogios!
Forte Abraço
Meu amigo, comprei um trator deste e estou muito satisfeito, mas gostaria de conseguir um manual do proprietário pois o mesmo já teve um outro dono que deu fim ao seu manual. posso conseguir, ou não tem condições?
Um abraço a todos e aguado respostas.
Caro Aldenor, parabéns pelo seu Valmet! Infelizmente não temos o manual para te fornecer. Um abraço e boa sorte na busca.